@ tainah negreiros

quarta-feira, 5 de março de 2008

segunda-feira, 3 de março de 2008

sobre noite com sonho




não há juízo
nem redenção
nós somos o que é santo

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008


às vezes tenho medo da melancolia que a distância dos passarinhos pode me trazer
vivo os passarinhos como nunca
e penso num plano
eu e ele numa casa que por perto hajam os pequenos
pra gente ampliar todo dia
é que às vezes a vida empurra pra apequenar
mas os passarinhos
nos ampliam e ampliam

me ensinaram isso de crescer pro que é pequeno em tamanho
como eu gostei disso
tanto tanto
é um romantismo que sempre tive e manoel me lembra
amar tanto arthur me traz
essa beleza de divinar a vida

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

todo dia eu berro
e desconfio que seja pela incompreensão do tamanho de certas coisas
a noite
a náusea
a falta
a pequena esperança verde que entra no quarto e muda tudo





e o amor por alguém que não pari nem me criou
como é grande, meu deus...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Que a importância de uma coisa há de ser medida
pelo encantamento que a coisa produza em nós
Que a boneca de trapos que abre e fecha os olhinhos azuis nas mãos de uma criança
é mais importante pra ela que a Codilheira dos Andes
O olhar segura a palavra na gente
Se admirava de como um grilo sozinho
um só pequeno grilo
podia desmontar o silêncio de uma noite




esse Manoel de Barros...

sábado, 16 de fevereiro de 2008


meninos, meninas
olhos que acompanham
um movimentar pelo pátio
e o meu advinhar
queria falar deles
mas sempre ameaço demonstrar muita emoção
e me acanho de que algo se perca
numa escrita despreparada, inquieta
então vou falar só do querer falar
o conseguir não é de agora

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008


Não sou muito boa nisso de ir dormir. É que às vezes a cabeça não descansa e eu penso sobre tudo, ou eu fico com medo de um sonho ruim. Noites assustadas que eu amplio pra ser criança. Mas hoje acho que sei o que fazer até que os olhos fiquem pesados, vou pensar nos poemas que li hoje, tantos, tão encantadores. Pensarei então em manoel, gullar, drummond, quintana, uns pelo primeiro e outros pelo segundo nome como companhia, à sua maneira de serem íntimos meus.


E ele me disse algo bonito pra pensar em noites longas como essa. bonito como sonho bom, bonito que é de guardar segredo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
















"o olhar segura a palavra na gente"
Manoel de Barros

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A proteção pungente

Meu pai fez aniversário esse mês, e já há alguns dias fico muito emocionada de pensar nele, na sua idade, na sua vida, desejos, insatisfações e esperanças, muitas delas relacionadas a mim. Por vezes, muitas vezes eu sou sua crença e fé. Procurei no dia esse texto de Clarice que me fez chorar há um certo tempo por dizer tanto sobre mim em relação a ele. E dizer também sobre essa noites que eu demoro a dormir e velo mais do que nunca por quem amo.



"Ela não podia olhar para seu pai quando ele tinha uma alegria. Por que ele, o forte e o amargo, ficava nessas horas todo inocente. E tão desarmado. Oh Deus, ele esquecia que era mortal. E obrigava a ela, uma criança a arcar com o peso da responsabilidade de saber que os nossos prazeres mais ingênuos e mais animais também morrem. Nesses instantes em que ele esquecia que ia morrer, ele a tornava a Pietá, à mãe do homem."

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

água viva

marni horwitz




sobre a espera de que os signos e alegorias deixem de sê-los somente
pra ser vida
um esforço também meu
um jeito de não se esgotar
um não morrer como desafio


No descomeço era o verbo
Só depois que veio o delírio do verbo
o delírio do verbo estava no começo, lá
onde criança diz: escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz do poeta, que é a voz
de fazer nascimentos -
o verbo tem que pegar o delírio.


Manoel de Barros

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo
deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo

sobre não ter o que dizer diante certas coisas da vida
certas coisas maiores que nós
sobre gemido, grunido, grito, som
sobre ultrapassar o que diríamos arte
e ser eterno por ser vida, existência
isto que é sobre um irresistível desejo
de confissão

Enriquieta e Fellini.

domingo, 27 de janeiro de 2008

e eu sinto uma saudade de João Vale hoje à noite.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Entre cantigas de abraçar, estradar, ou daquelas feita para voar, dessas mesmo, cantigas de Elomar e seu elo não feito, recusado em troca da terra seca. E eu penso na terra e nos homens, mulheres e crianças sobre a terra, dentro da terra ou mais perto e empoeirados dela que outros. Amores retirantes, idas a feira, lamentos, celebrações e lampejos de luz de madrugada. As canções de Elomar são das coisas mais lindas que já ouvi na vida e até demorei pra dizer isso aqui.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008


"se ao menos fosse dor que ela sentisse e não esses sonhos sem sossego, esses intermináveis e exaustivos sonhos, ele poderia procurar algum alívio para ela. Assim pensava Pedro Páramo, a vista fixa em Susana, acompanhando cada um de seus movimentos. O que aconteceria se ela também apagasse quando apagasse a chama daquela débil luz com que ele a via?"

a mulher de outro mundo
o corpo que se contorce
e um não saber
não saber lidar mais com a alma
grito em resposta ao corpo
silêncio em resposta ao grito
chamado, pedido
prece
e o sono
que vem como compaixão

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008


ainda sobre sonhos
neles eu amo como na vida
mas entre distâncias transpostas
palavras ditas
beijos e abraços dados
e a lembrança de que sim, são vida
em outra instância
noutra elevação
numa graça
numa doçura única
da sua falta de razão

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Vivência


Essa moças de Schiele me lembram esses sonhos sujos que o título do blog se refere. Sonhos que são sujos na verdade nem por sê-los, é quase um jeito bobo de dizer o que achariam os outros se soubessem deles, se soubessem da sua falta de razão. A moça de Schiele me lembra a mulher que penso agora, a mulher nua pela casa numa procura, num zelo e numa naturalidade de nudez que vai desconcertá-lo. Ele que a ama com uma naturalidade de amor que a comove. A mulher ri atrás do rosto sério e do medo das incertezas. Ela ri longamente com ele, riem com toda a boca e olhos. Os móveis não estão no lugar e o peito deles às vezes é um, às vezes encostados, às vezes não. Ela o ama. A cama depois de arrumada, pronta pra se amarrotar na noite sem sono. Ela o ama. A luz da cozinha ficou ligada, eles estão cheios de pensamentos. Ele a ama. E eles notam que sim, eles sabem da vida.

sábado, 5 de janeiro de 2008

schiele.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008


belezas são coisas acesas por dentro

sábado, 29 de dezembro de 2007

O céu aqui é mais bonito e não é por culpa do céu, a gente sabe.

Não posso pensar em tudo, mas penso, penso em tudo e quem jamais entenderia.
Sei que algo me lembra a poeira que Shepard teria visto, e o amor que teria sentido, e isso de alguma forma sorri pra mim, nos sorriu aquela noite.
Penso no deserto, em desertar pra encontrar o que é anterior, o que é inevitável e é bonito. Ontem eu vi o deserto do alto, o chão era laranja e o céu é daqueles que distingue bem o que é azul do branco.

uma voz ao telefone
e um nome
que nessas noites do norte
é a minha prece

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007



O amor natural. Ou o amor segundo Apichatpong Weerasethakul.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Os olhos dele são meu milagre.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007


Uma nova vida por vir.
Um homem
Uma mulher
uma procura.




Algo pra escrever, que escrevo pra ser imagem. Acabei voltando a isso depois de uma conversa nossa entre papéis e carinhos na cama bagunçada. É sobre o que disse, mas é também sobre luz que invade a casa, sobre vida

sobre nós.

domingo, 16 de dezembro de 2007

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

sobre ser passarinho


isso de céu enorme ao fundo
e pousar tranquilo

sobre estar longe do mal
do mal do mundo
se afinal o mal existir

isso sobre o bem
sobre ser o bem com asa












sobre passarinhar no fim do dia
agora eu sei

domingo, 2 de dezembro de 2007

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sei que há algo de inquieto quando sei de sua mãe, acho que sei algo dela. Descobri isso hoje de manhã enquanto olhava suas costas enquanto dormia. As costas, os olhinhos e o sono me aproximaram da mãe de alguma forma. Não sei se do que ela é, mas do que poderia ter sido.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

às vezes a noite é maior que eu




vou dormir sobre o teu sono
pra te alcançar

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

ontem à noite

o sapinho deu um salto
pulou por medo do medo meu