às preces ao tempo jamais ditas.
@ tainah negreiros
sábado, 9 de agosto de 2008
segunda-feira, 21 de julho de 2008

"A primeira imagem de que ele me falou foi a de três crianças em uma estrada na Islândia, em 1965. Ele disse que para ele era a imagem da felicidade. Ele tentara várias vezes associá-la a outras imagens mas não conseguira. Ele me escreveu: 'Preciso colocá-la sozinha no início de um filme, com uma tarja preta. Se não virem a felicidade na imagem, ao menos verão o preto.' "
A primeira imagem de que ele me falou foi a de três crianças em uma estrada na Islândia
imagem que também é dele
agora nossa
depois entre albúns em que eu tentava compreender sua história
refazendo seus passos ainda pequeno
quase como uma tentativa boba
de entender nosso encontro
anos depois
é uma forma de esperança
eu sei
como se naquelas pequenas linhas de todo dia
a gente também se encontrasse
dessas coisas miúdas todas que fazem da vida
encontro
e há essa imagem que salva como a de Marker
agora minha
também nossa
uma imagem de felicidade
verde
sábado, 7 de junho de 2008
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Esses dias descubro o quanto é encantador escrever pra alcançar os pequenos, essa tentativa encantadora de escrever algo bonito da forma mais simples. Já tinha percebido isso com Clarice, com Manoel... conheci esses dias Roseana Murray, uma mulher cheia de encantos com as palavras e de bonitos nomes pra livros, bonitos nomes pra livros bonitos. Hoje depois do almoço fiquei lendo alguns com Arthur e colorindo a tarde. É das coisas que mais gosto de fazer.
Felicidade
Pinto as unhas de azul,
as mãos, a voz
o coração
e na mala aberta arrumo ventos,
pensamentos, e o mapa azul da felicidade
feito com as pequenas linhas de todo dia:
parto montada na aurora
como num cavalo respingado de luz.
r. m
Felicidade
Pinto as unhas de azul,
as mãos, a voz
o coração
e na mala aberta arrumo ventos,
pensamentos, e o mapa azul da felicidade
feito com as pequenas linhas de todo dia:
parto montada na aurora
como num cavalo respingado de luz.
r. m
segunda-feira, 26 de maio de 2008
segunda-feira, 12 de maio de 2008
terça-feira, 6 de maio de 2008
domingo, 20 de abril de 2008

"Mais alguns segundos e a negra vai cantar. Isso parece inevitável, tão forte é a necessidade dessa música: nada pode interrompê-la, nada que venha desse tempo no qual o mundo despencou; ela cessará por si mesma no momento exato. Se amo essa bela voz é sobretudo por isso: não é nem por seu volume, nem por sua tristeza; é porque ela é o acontecimento que tantas notas prepararam, de tão longe, morrendo para que ela possa nascer”
Sartre ainda sem saber
que falava da Nico
da Nina
sobre quando cantar
é acontecer
é acontecer no peito da gente
terça-feira, 8 de abril de 2008
às vezes me sinto como da primeira vezquando me perguntava
como passei tanto tempo sem conversar com alguém como você?
o que eu conversava antes de você?
como me mexia?
você que me ouve mesmo a distância
desse sentir demais do último mês
um sentir demais, demais
pra quem eu diria o quanto acho minha avó linda
e minha mãe linda por parecer com minha vó
e ser toda outra
como eu saberia que sonharia ser tão boa companheira
ser tão boa mãe
como elas
senão contigo
não, não sei bem como era pensar o futuro sem você
agora que sonho a vida
contigo
sexta-feira, 4 de abril de 2008
quarta-feira, 2 de abril de 2008
domingo, 30 de março de 2008
domingo, 23 de março de 2008
sábado, 22 de março de 2008
sexta-feira, 21 de março de 2008
quarta-feira, 19 de março de 2008
terça-feira, 18 de março de 2008
segunda-feira, 17 de março de 2008
então conhecer é ser invadido?
é que às vezes é como se eu fosse parir
e os passos, o toque, o olhar
isso que diz sobre zelo, cuidado
sobre delicadeza
como arrumar as frutas na fruteira
e olhar da janela
o mundo que se mostra como algo a ser preparado
como terra, como chão que recebe
como os passos de um pequeno na calçada
é que às vezes é como se eu fosse parir
e os passos, o toque, o olhar
isso que diz sobre zelo, cuidado
sobre delicadeza
como arrumar as frutas na fruteira
e olhar da janela
o mundo que se mostra como algo a ser preparado
como terra, como chão que recebe
como os passos de um pequeno na calçada
sexta-feira, 7 de março de 2008
quinta-feira, 6 de março de 2008
e eu tenho que falar de novo de manoel
devo parece repetitiva
mas é que eu estou com as duas mãos no rosto
me perguntando o que fazer com tanto encontro
é muito encontro, meu deus
àrvores, vagalumes, pássaros, rios, homens
e meninos
e meninos
posso fazer disso um delírio
e posso
e vale!
os encontros me renovam
me recomeçam
todo dia é de poder ser árvore, limo, pássaro, pedra
todo dia é de ser grão de areia
passarinho
esse deve ser o melhor ser
ser grilo quebrando silêncio da noite
devo parece repetitiva
mas é que eu estou com as duas mãos no rosto
me perguntando o que fazer com tanto encontro
é muito encontro, meu deus
àrvores, vagalumes, pássaros, rios, homens
e meninos
e meninos
posso fazer disso um delírio
e posso
e vale!
os encontros me renovam
me recomeçam
todo dia é de poder ser árvore, limo, pássaro, pedra
todo dia é de ser grão de areia
passarinho
esse deve ser o melhor ser
ser grilo quebrando silêncio da noite
quarta-feira, 5 de março de 2008
segunda-feira, 3 de março de 2008
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
às vezes tenho medo da melancolia que a distância dos passarinhos pode me trazer
vivo os passarinhos como nunca
e penso num plano
eu e ele numa casa que por perto hajam os pequenos
pra gente ampliar todo dia
é que às vezes a vida empurra pra apequenar
mas os passarinhos
nos ampliam e ampliam
me ensinaram isso de crescer pro que é pequeno em tamanho
como eu gostei disso
tanto tanto
é um romantismo que sempre tive e manoel me lembra
amar tanto arthur me traz
essa beleza de divinar a vida
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Que a importância de uma coisa há de ser medida
pelo encantamento que a coisa produza em nós
Que a boneca de trapos que abre e fecha os olhinhos azuis nas mãos de uma criança
é mais importante pra ela que a Codilheira dos Andes
O olhar segura a palavra na gente
Se admirava de como um grilo sozinho
um só pequeno grilo
podia desmontar o silêncio de uma noite
esse Manoel de Barros...
pelo encantamento que a coisa produza em nós
Que a boneca de trapos que abre e fecha os olhinhos azuis nas mãos de uma criança
é mais importante pra ela que a Codilheira dos Andes
O olhar segura a palavra na gente
Se admirava de como um grilo sozinho
um só pequeno grilo
podia desmontar o silêncio de uma noite
esse Manoel de Barros...
sábado, 16 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Não sou muito boa nisso de ir dormir. É que às vezes a cabeça não descansa e eu penso sobre tudo, ou eu fico com medo de um sonho ruim. Noites assustadas que eu amplio pra ser criança. Mas hoje acho que sei o que fazer até que os olhos fiquem pesados, vou pensar nos poemas que li hoje, tantos, tão encantadores. Pensarei então em manoel, gullar, drummond, quintana, uns pelo primeiro e outros pelo segundo nome como companhia, à sua maneira de serem íntimos meus.
E ele me disse algo bonito pra pensar em noites longas como essa. bonito como sonho bom, bonito que é de guardar segredo.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
domingo, 10 de fevereiro de 2008
A proteção pungente
Meu pai fez aniversário esse mês, e já há alguns dias fico muito emocionada de pensar nele, na sua idade, na sua vida, desejos, insatisfações e esperanças, muitas delas relacionadas a mim. Por vezes, muitas vezes eu sou sua crença e fé. Procurei no dia esse texto de Clarice que me fez chorar há um certo tempo por dizer tanto sobre mim em relação a ele. E dizer também sobre essa noites que eu demoro a dormir e velo mais do que nunca por quem amo.
"Ela não podia olhar para seu pai quando ele tinha uma alegria. Por que ele, o forte e o amargo, ficava nessas horas todo inocente. E tão desarmado. Oh Deus, ele esquecia que era mortal. E obrigava a ela, uma criança a arcar com o peso da responsabilidade de saber que os nossos prazeres mais ingênuos e mais animais também morrem. Nesses instantes em que ele esquecia que ia morrer, ele a tornava a Pietá, à mãe do homem."
"Ela não podia olhar para seu pai quando ele tinha uma alegria. Por que ele, o forte e o amargo, ficava nessas horas todo inocente. E tão desarmado. Oh Deus, ele esquecia que era mortal. E obrigava a ela, uma criança a arcar com o peso da responsabilidade de saber que os nossos prazeres mais ingênuos e mais animais também morrem. Nesses instantes em que ele esquecia que ia morrer, ele a tornava a Pietá, à mãe do homem."
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
água viva
sobre a espera de que os signos e alegorias deixem de sê-los somente
pra ser vida
um esforço também meu
um jeito de não se esgotar
um não morrer como desafio
No descomeço era o verbo
Só depois que veio o delírio do verbo
o delírio do verbo estava no começo, lá
onde criança diz: escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz do poeta, que é a voz
de fazer nascimentos -
o verbo tem que pegar o delírio.
Manoel de Barros
Só depois que veio o delírio do verbo
o delírio do verbo estava no começo, lá
onde criança diz: escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz do poeta, que é a voz
de fazer nascimentos -
o verbo tem que pegar o delírio.
Manoel de Barros
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