@ tainah negreiros

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

 o homem veio sozinho até a caverna
de frente para o oceano.
todas as mãos têm o mesmo tamanho:
ele estava sozinho.

o homem, sozinho na caverna, olhou,
em meio ao barulho
– ao barulho do mar –
a imensidão das coisas.
e gritou.

você, que tem um nome;
você, que tem uma identidade,
eu te amo

(...)
eu sou aquele que chama
eu sou aquele que gritava há trinta mil anos
eu te amo

As mãos negativas, Marguerite Duras (1978)
para Laura, com carinho

sábado, 30 de janeiro de 2016

Pasolini

 Ferrara trata os últimos dias de Pasolini como um mistério. O mistério que há numa existência vibrante que se vê séria diante das percepções que tem sobre o mundo. O mistério de sua existência. Ponto. O mistério que se firma nessa escolha por filmar o privado, o íntimo desse último dia desse sujeito tão público. O grande íntimo diz sobre o imenso que é público.
Ferrara faz isso através de uma observação da presença do artista entre aqueles que o queriam bem, que o conheciam há muito tempo, ou diante do jornalista que tenta arrancar de forma frustrada dele algo que não seja sua imensa verdade sobre nossa existência e sobre os seus rumos. O Pasolini de Ferrara e Dafoe parece entender que esses caminhos dizem respeito a ele muito pessoalmente. Todo seu caminho é triste, quase premonitório.
Várias das imagens mostradas por Ferrara são como vazios da famosa narrativa sobre sua morte. O que ele teria comido? Que conversas teria tido? Que olhares teria dado para o jovem que ajudaria a matá-lo? O que se contou não ajudava em nada a entender quem ele era.. Esses momentos de intimidade sim.
até aqui muito azul hortência, muito amarelo desaturado e um verde que misturo com um pouco de azul cobalto. para esse ano talvez mais vermelho.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

essa história de gostar de alguém já é mania que as pessoas tem.
The Raven, de David Inshaw (1971)


I sleep like a soldier, without rest
but there is no treason,
where there is only lawlessness
(Soft as Chalk, Joanna Newsom)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016


No nosso começo de ano pudemos tocar nas pedras de antes do tempo.

domingo, 10 de janeiro de 2016

frágil
de mim sentem compaixão
tudo me agride
menos joanna newsom

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Viajei sem meu livro de escritos do Matisse e essa tarde senti falta do que diz. Nesse contexto, me perguntei o porquê de gostar mais dele que de tantos outros grandes da pintura. Suspeito que por um entendimento. Ele fala um pouco disso ao mencionar um colega que o entendia por desprivilegiar a forma em determinado quadro, nesse caso era o da moça deitado no roxo mais bonito que ele já viu, em detrimento da presença desse roxo meio lilás e da suavidade do gesto demonstrada na sua simplicidade. Algo que poderia ser vista por muitos como grosseira. Matisse diz de forma enfática que esse amigo o entendia.

É como um raridade partilhada que não nos suspende nem nos melhora, é uma questão de amparo.

Um outro milagre da compreensão aconteceu esse ano com a Kira Muratova em um mês importante de descoberta. Esses dias tem sido com Joanna Newsom que parece ser a única a não me agredir. Ela segue como que acenando com a cabeça pra mim que sim, quase posso vê-la dizendo que tudo pode dar certo. Temos nos entendido muito bem.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

que saudade da minha criançada crescida de treze anos que ama rihanna e diz que os cachorros são deuses.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

pintando joanna por gratidão
espero poder, como ela
mudar o tempo verbal do verso "I am blue"
para o passado

domingo, 13 de dezembro de 2015

so, so long ago
and so far away,
when time was just a line

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Didier Eribon: Gostaria de fazer-lhe a pergunta simples: que é um mito?

Claude Levy Strauss: Não é uma pergunta simples, é exatamente o contrário, porque se pode respondê-la de vários modos. Se você interrogar um índio americano, seriam muitas as chances de que a resposta fosse essa: uma história do tempo em que os homens e os animais não eram diferentes. (...)

sábado, 14 de novembro de 2015

pois a alegria vai voltar

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Marcha das mulheres ontem na rua e Marguerite Duras hoje em casa: "somos todas ferozes, somos todas instruídas em dor."

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

viva!

hoje foi dia de cantar com as crianças e ver todo mundo feliz como nunca.

domingo, 11 de outubro de 2015


Meu filme preferido da Chantal Akerman, e um dos filmes da vida, é "Retrato de uma jovem dos anos 60 em Bruxelas". Meu coração sempre bateu mais forte por seus filmes de e sobre a juventude. Neles sempre as personagens são puxadas para fora do quadro, como em um chamado para uma aventura, para uma distração qualquer, numa imensa vivacidade que convive com a austeridade da própria vida, e dos outros também belos filmes.
Chantal se foi e penso em tudo isso: no início de carreira despojado, belo e radical de "Saute ma ville", na enorme e alucinante paixão de "Je, tu, il, elle", nas impulsivas e adoráveis moças de "J'ai faim, J'ai froid", penso ainda nas cartas e no olhar estrangeiro em "News from home" e sempre na jovem inadequada e vivaz Michele/Chantal do "Retrato".
Com justiça, lembramos muito da cineasta pela importância do seu cinema na construção de  uma nova relação com o tempo e com o espaço, principalmente fruto de um isolamento. Chantal foi muito fundo nessa sua investigação e nas variadas formas de mostrá-las sem se preocupar em descortinar muito pessoalmente o que viveu. O fato dela ter ido fundo nesse mostrar, como mulher, tornou seus filmes além de belos muito importantes. São como revoluções pessoais que uma a uma essa grande cineasta foi nos revelando. Obrigada!

sábado, 3 de outubro de 2015

Every time I am asked what the film is about, I reply, quite honestly, "It's about everything."
Kira Muratova, 1990

sábado, 26 de setembro de 2015

O Longo Adeus, de Kira Muratova (1971)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Conhecendo o vasto novo mundo, de Kira Muratova (1978)

Primeiro filme em cores de Kira Muratova em que o prazer dessa nova possibilidade se revela principalmente nos vermelhos dos vestidos, lenços e flores que compõe todo a obra.
Filme de amor, justo, belo, desses que as pessoas dão bandeira, se enternecem e seguram as mãos. Filme de mulheres operárias, atrizes, amigas. Filme de mãos. Mãos das mulheres que rebocam as paredes das fábricas, mãos que se encostam, se ajudam. Muito da ternura desse filme reside na convivência entre os pequenos gestos de carinho e os de trabalho, do que envolve um senso coletivo sempre muito presente na obra de Muratova junto do belo que irrompe da intimidade. Em tempos de imagem que mais reconhecemos que descobrimos,  é bom perceber um mundo de cenas incríveis que não fazíamos idéia que podiam existir. Todas todas novas. A chuva quase não me deixou ir ver. O sol saiu e deu certo, muito certo. Esse já é filme da vida.

Cavalo Dinheiro

Revolução dos Cravos e a Revolução por independência no elevador. Ou sem mais lugar depois da destruição das Fontainhas? Passado presente só na floresta ou em sonho? Desejo presente nas canções dos Tubarões e nas mazelas de cada de um.

domingo, 20 de setembro de 2015

A vida do fósforo e Sinfonia


o cinema brasileiro que é meu preferido nesse momento é feito de amores extravagantes
e de michael jackson.

aniversariante

uma canção dizendo tudo a ela
que ainda estou sozinho
apaixonado
para lançar no espaço sideral

a humanidade desconcertante


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

tudo nele é simples e natural e, ao mesmo tempo, depurado e composto; e seus heróis dizem apenas coisas inúteis e essenciais, como as palavras que nos escapam nos sonhos.

Bazin sobre La Pointe Courte, 1956

domingo, 23 de agosto de 2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015



Hoje na rua pensei ter visto a Natalí. Mesmo sabendo que não era possível, torci pra que fosse ela.

sábado, 15 de agosto de 2015

vamos interromper
Teerã de moto
de flores

domingo, 9 de agosto de 2015

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Síntese, poema vegano,"música de acompanhamento para uma peça de Shoenberg"

terça-feira, 28 de julho de 2015

Verne disse: "Ela queria ver um fenômeno físico."
A Delphine de Rohmer e Marie colocou a mão na boca.

Dia 24 vi o raio verde e dei um grito no carro.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

hoje a idéia de pintar o sapato da moça no quadro de amarelo me fez rir.