@ tainah negreiros

quarta-feira, 27 de abril de 2016

deus me livre de ter medo agora depois que eu já me joguei no mundo.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

domingo, 3 de abril de 2016

eu só quero que deus me ajude e o menino muito mais também

(e como fui longe numa tarde com mamãe e papai, em outra casa, em outro lugar, em que deveriam ouvir muitas vezes o disco bicho)

quarta-feira, 30 de março de 2016

sábado, 26 de março de 2016

La Captive (Chantal Akerman, 2000)


Mulheres livres, homens loucos.

sexta-feira, 18 de março de 2016

o que é que foi? o que é que tens? o que que se passa?
o que é que te dói?

sábado, 12 de março de 2016

Coração de cachorro cansado das promessas não cumpridas de tranquilidade feitas a ele
e que nem por isso deixa de querer pacificar

domingo, 6 de março de 2016

 nessa manhã penso nos caminhos para que esse último quadro que fiz fosse vermelho.

sábado, 5 de março de 2016

Assim, em minha juventude, quando a gente saía do cavalete, tinha um sentimento de felicidade ou de descontentamento  conforme a coisa tivesse andado melhor ou pior, mas perdia-se qualquer contato com o quadro em andamento.
Além disso, os pintores mudavam de quadro de hora em hora, segundo as alterações que luz imprimia nos objetos com o curso do sol (Manet, Marquet). Não visitavam o Louvre para não se enterrarem lá dentro, isto é, perderem o caminho. Mas olhavam os japoneses, porque mostravam cor.

(....)

Quando um mestre trabalha com simplicidade e com grandes relações, é porque  seu sentimento recusa as coisas complicadas que não lhe chegam diretamente e que não vão sem rodeios aos sentimentos dos outros. O que às vezes é tido como defeito, como falha, torna-se assim uma qualidade essencial.

(...)

Depois de ter tornado conhecimento de seus meios de expressão, o pintor deve se perguntar: "O que eu quero?", e em sua busca, tentando descobrí-lo, avançar do simples para o composto.
Se ele souber se manter sincero em relação ao seu sentimento profundo, sem trapaça nem indulgência consigo mesmo, sua curiosidade não o abandonará, e tampouco, até idade muito avançada, seu entusiasmo pelo trabalho árduo e a necessidade de aprender com sua juventude passada.
Existe coisa mais bonita?

Matisse (Paris, 1945)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

sábado, 13 de fevereiro de 2016

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Plum blossoms, green background (1948)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

 o homem veio sozinho até a caverna
de frente para o oceano.
todas as mãos têm o mesmo tamanho:
ele estava sozinho.

o homem, sozinho na caverna, olhou,
em meio ao barulho
– ao barulho do mar –
a imensidão das coisas.
e gritou.

você, que tem um nome;
você, que tem uma identidade,
eu te amo

(...)
eu sou aquele que chama
eu sou aquele que gritava há trinta mil anos
eu te amo

As mãos negativas, Marguerite Duras (1978)
para Laura, com carinho

sábado, 30 de janeiro de 2016

Pasolini

 Ferrara trata os últimos dias de Pasolini como um mistério. O mistério que há numa existência vibrante que se vê séria diante das percepções que tem sobre o mundo. O mistério de sua existência. Ponto. O mistério que se firma nessa escolha por filmar o privado, o íntimo desse último dia desse sujeito tão público. O grande íntimo diz sobre o imenso que é público.
Ferrara faz isso através de uma observação da presença do artista entre aqueles que o queriam bem, que o conheciam há muito tempo, ou diante do jornalista que tenta arrancar de forma frustrada dele algo que não seja sua imensa verdade sobre nossa existência e sobre os seus rumos. O Pasolini de Ferrara e Dafoe parece entender que esses caminhos dizem respeito a ele muito pessoalmente. Todo seu caminho é triste, quase premonitório.
Várias das imagens mostradas por Ferrara são como vazios da famosa narrativa sobre sua morte. O que ele teria comido? Que conversas teria tido? Que olhares teria dado para o jovem que ajudaria a matá-lo? O que se contou não ajudava em nada a entender quem ele era.. Esses momentos de intimidade sim.
até aqui muito azul hortência, muito amarelo desaturado e um verde que misturo com um pouco de azul cobalto. para esse ano talvez mais vermelho.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

essa história de gostar de alguém já é mania que as pessoas tem.
The Raven, de David Inshaw (1971)


I sleep like a soldier, without rest
but there is no treason,
where there is only lawlessness
(Soft as Chalk, Joanna Newsom)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016


No nosso começo de ano pudemos tocar nas pedras de antes do tempo.

domingo, 10 de janeiro de 2016

frágil
de mim sentem compaixão
tudo me agride
menos joanna newsom

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Viajei sem meu livro de escritos do Matisse e essa tarde senti falta do que diz. Nesse contexto, me perguntei o porquê de gostar mais dele que de tantos outros grandes da pintura. Suspeito que por um entendimento. Ele fala um pouco disso ao mencionar um colega que o entendia por desprivilegiar a forma em determinado quadro, nesse caso era o da moça deitado no roxo mais bonito que ele já viu, em detrimento da presença desse roxo meio lilás e da suavidade do gesto demonstrada na sua simplicidade. Algo que poderia ser vista por muitos como grosseira. Matisse diz de forma enfática que esse amigo o entendia.

É como um raridade partilhada que não nos suspende nem nos melhora, é uma questão de amparo.

Um outro milagre da compreensão aconteceu esse ano com a Kira Muratova em um mês importante de descoberta. Esses dias tem sido com Joanna Newsom que parece ser a única a não me agredir. Ela segue como que acenando com a cabeça pra mim que sim, quase posso vê-la dizendo que tudo pode dar certo. Temos nos entendido muito bem.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

que saudade da minha criançada crescida de treze anos que ama rihanna e diz que os cachorros são deuses.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

pintando joanna por gratidão
espero poder, como ela
mudar o tempo verbal do verso "I am blue"
para o passado

domingo, 13 de dezembro de 2015

so, so long ago
and so far away,
when time was just a line

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Didier Eribon: Gostaria de fazer-lhe a pergunta simples: que é um mito?

Claude Levy Strauss: Não é uma pergunta simples, é exatamente o contrário, porque se pode respondê-la de vários modos. Se você interrogar um índio americano, seriam muitas as chances de que a resposta fosse essa: uma história do tempo em que os homens e os animais não eram diferentes. (...)

sábado, 14 de novembro de 2015

pois a alegria vai voltar

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Marcha das mulheres ontem na rua e Marguerite Duras hoje em casa: "somos todas ferozes, somos todas instruídas em dor."

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

viva!

hoje foi dia de cantar com as crianças e ver todo mundo feliz como nunca.

domingo, 11 de outubro de 2015


Meu filme preferido da Chantal Akerman, e um dos filmes da vida, é "Retrato de uma jovem dos anos 60 em Bruxelas". Meu coração sempre bateu mais forte por seus filmes de e sobre a juventude. Neles sempre as personagens são puxadas para fora do quadro, como em um chamado para uma aventura, para uma distração qualquer, numa imensa vivacidade que convive com a austeridade da própria vida, e dos outros também belos filmes.
Chantal se foi e penso em tudo isso: no início de carreira despojado, belo e radical de "Saute ma ville", na enorme e alucinante paixão de "Je, tu, il, elle", nas impulsivas e adoráveis moças de "J'ai faim, J'ai froid", penso ainda nas cartas e no olhar estrangeiro em "News from home" e sempre na jovem inadequada e vivaz Michele/Chantal do "Retrato".
Com justiça, lembramos muito da cineasta pela importância do seu cinema na construção de  uma nova relação com o tempo e com o espaço, principalmente fruto de um isolamento. Chantal foi muito fundo nessa sua investigação e nas variadas formas de mostrá-las sem se preocupar em descortinar muito pessoalmente o que viveu. O fato dela ter ido fundo nesse mostrar, como mulher, tornou seus filmes além de belos muito importantes. São como revoluções pessoais que uma a uma essa grande cineasta foi nos revelando. Obrigada!

sábado, 3 de outubro de 2015

Every time I am asked what the film is about, I reply, quite honestly, "It's about everything."
Kira Muratova, 1990