Ouço Joanna Newsom na lua cheia porque as fadas e as bruxas precisam se unir.
@ tainah negreiros
terça-feira, 5 de setembro de 2017
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Bjork
She describes it as her “dating album”: “It’s like my Tinder album. It
is definitely about that search — and about being in love. Spending time
with a person you enjoy on every level is obviously utopia, you know? I
mean, it’s real. It’s when the dream comes real.”
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
lost in translation
here I am
speaking a language that's not mine
trying to show me
to reach you
that's what we have now
words in english, a bit of portuguese, of french
maybe more of dutch
that language that you belong to
interests me
sergio says in the middle of the afternoon:
por não ser a língua de nenhum de vocês
é a possível
these words are what we have now
and some photographs of what we see
or how we see ourselves
in selfies, nudes, half-nudes
love gestures
what are the colors of your thoughts?
I ask myself
mine are blue and read
blue like your t-shirt
red like my heart
speaking a language that's not mine
trying to show me
to reach you
that's what we have now
words in english, a bit of portuguese, of french
maybe more of dutch
that language that you belong to
interests me
sergio says in the middle of the afternoon:
por não ser a língua de nenhum de vocês
é a possível
these words are what we have now
and some photographs of what we see
or how we see ourselves
in selfies, nudes, half-nudes
love gestures
what are the colors of your thoughts?
I ask myself
mine are blue and read
blue like your t-shirt
red like my heart
sábado, 22 de julho de 2017
terça-feira, 18 de julho de 2017
férias de julho de 2017
São Raimundo Nonato
o esforço é de não ser dolorosa
e os sorriso sem esforço algum vem
a existência de minha mãe pra mim é algo tão imenso
que se torna abstrato
uma larga escala
de amorosas tonalidades e traços
não quero ir
aprecio as frutas e as luzes
ignoro a dificuldade das duas da tarde
gosto do centro às sete da noite
e também às onze da manhã
reconsidero outras formas de vida
reconheço o silêncio azul da madrugada
agradeço, sinto a sorte fisicamente
uma criança nascida sob o signo de leão abre a nossa porta sozinha
brinca
diz nossos nomes com ternura
São Raimundo Nonato
o esforço é de não ser dolorosa
e os sorriso sem esforço algum vem
a existência de minha mãe pra mim é algo tão imenso
que se torna abstrato
uma larga escala
de amorosas tonalidades e traços
não quero ir
aprecio as frutas e as luzes
ignoro a dificuldade das duas da tarde
gosto do centro às sete da noite
e também às onze da manhã
reconsidero outras formas de vida
reconheço o silêncio azul da madrugada
agradeço, sinto a sorte fisicamente
uma criança nascida sob o signo de leão abre a nossa porta sozinha
brinca
diz nossos nomes com ternura
domingo, 16 de julho de 2017
domingo
may my heart be always be open to little
birds who are the secrets of living
whatever they sing is better than to know
and if men should not hear them men are old
may my mind stroll about hungry
and fearless and thirsty and supple
and even if it’s sunday may i be wrong
for whenever men are right they are not young
e.e cummings
birds who are the secrets of living
whatever they sing is better than to know
and if men should not hear them men are old
may my mind stroll about hungry
and fearless and thirsty and supple
and even if it’s sunday may i be wrong
for whenever men are right they are not young
e.e cummings
sexta-feira, 7 de julho de 2017
Levantei às quatro da manhã aqui em São Raimundo. Moramos no meio do mato e tive a impressão de ter ouvido o último
segundo da Hora azul. Foi interrompido por vários galos cantando longe,
numa espécie de sequência articulada. Sinto que agora experimentei todas
as recomendações de radicais experiências com a natureza que Rohmer e
Julio Verne recomendaram. Tanto o Raio Verde quanto a Hora azul aqui na
cidade em que nasci.
sábado, 1 de julho de 2017
Revi depois de anos. A banalização do amor como
sentimento e como palavra. Todo mundo se apaixona por todo mundo, fala sobre esse amor e
também magoa todo mundo por conta disso. É sobre tratar paixão como amor. Sobre o charme da indisponibilidade e da disponibilidade também. Uma loucura, desses filmes
irresistíveis de análise combinatória, do amor.
sexta-feira, 16 de junho de 2017
entender que a alegria acontece
não é tarefa fácil
senti com alguma clareza enquanto andávamos
pra cima e pra baixo de taxi
uma não distração enorme
contigo nos braços
e a cidade nova lá fora
querido,
agora você é como um gato japonês desaparecido
a partir desse momento pra mim você é como um neko japonês de braço levantado
em um santuário
não importa onde vá, inventei essa imagem próxima
para que possa torcer pelo teu bem
onde quer que esteja
não é tarefa fácil
senti com alguma clareza enquanto andávamos
pra cima e pra baixo de taxi
uma não distração enorme
contigo nos braços
e a cidade nova lá fora
querido,
agora você é como um gato japonês desaparecido
a partir desse momento pra mim você é como um neko japonês de braço levantado
em um santuário
não importa onde vá, inventei essa imagem próxima
para que possa torcer pelo teu bem
onde quer que esteja
quinta-feira, 15 de junho de 2017
terça-feira, 13 de junho de 2017
sexta-feira, 9 de junho de 2017
you told me about the gravitational waves
que elas distorcem o espaço tempo
“uma nova era na compreensão do universo”
leio no jornal
um novo momento
bastante pessoal
época das distâncias entre os corpos modificadas
em oito de junho
fomos como dois buracos negros densos
que se encontram
e se misturam
e vibram
a nossa matéria mudou
quarta-feira, 7 de junho de 2017
Matthijs
o visitante do meu mundo vem de longe
logo me deixará
mas antes
inventa situações inesquecíveis
em quartos
meios de rua
portões e beiras de calçada
me questiono se há um esforço presente ou de posteridade
é feito pra durar?
em mim dura
até porque o quarto, as ruas e os portões vão permanecer perto de mim não dele
e a falta que tão bem conheço
vai permanecer minha
logo me deixará
mas antes
inventa situações inesquecíveis
em quartos
meios de rua
portões e beiras de calçada
me questiono se há um esforço presente ou de posteridade
é feito pra durar?
em mim dura
até porque o quarto, as ruas e os portões vão permanecer perto de mim não dele
e a falta que tão bem conheço
vai permanecer minha
sábado, 3 de junho de 2017
Rohmer, nosso aliado
(Quatro Aventuras de Mirabelle e Reinette, 1987)
Os jovens indecisos e os adultos imaturos de Rohmer são intrigantes, estão intrigados, intrigam. A intriga, em Rohmer, é um pretexto, porque cada narrativa é apenas uma versão da história. As personagens vivem iludidas, mas não é grave, porque o cinema é também uma ilusão e, de algum modo, a vida também é, ou pelo menos o modo como conduzimos as nossas vidas. Eric Rohmer sempre pareceu uma figura paterna, ou pelo menos um irmão mais velho, mesmo em relação aos seus companheiros de geração. Mas foi até ao fim um aliado dos jovens, fascinado com a teatralidade com que os jovens fazem dos factos consumados pretensas estratégias intencionais.
Nos meus Rohmers favoritos, e Rohmer é o meu cineasta favorito, há sempre epifanias fugazes e contraditórias, agridoces: Haydée intempestivamente abandonada no meio de uma estrada, o joelho de Claire quase como se não fosse erótico, o católico que descobre a loura Françoise na missa, Gaspard fingindo que não tem saída com as mulheres, François que descobre o namorado da sua quase namorada, Marion chocada ao perceber que ser adulto é viver com a mentira. Estas personagens não crescem: evoluem. Não aprendem: sujeitam-se. E mesmo se acham que seduzem, talvez seja apenas como em Kierkegaard: "Ele não seduz, deseja, e esse desejo tem um efeito sedutor."
Também isso ensinou Eric Rohmer, nosso aliado.
Pedro Mexia
Os jovens indecisos e os adultos imaturos de Rohmer são intrigantes, estão intrigados, intrigam. A intriga, em Rohmer, é um pretexto, porque cada narrativa é apenas uma versão da história. As personagens vivem iludidas, mas não é grave, porque o cinema é também uma ilusão e, de algum modo, a vida também é, ou pelo menos o modo como conduzimos as nossas vidas. Eric Rohmer sempre pareceu uma figura paterna, ou pelo menos um irmão mais velho, mesmo em relação aos seus companheiros de geração. Mas foi até ao fim um aliado dos jovens, fascinado com a teatralidade com que os jovens fazem dos factos consumados pretensas estratégias intencionais.
Nos meus Rohmers favoritos, e Rohmer é o meu cineasta favorito, há sempre epifanias fugazes e contraditórias, agridoces: Haydée intempestivamente abandonada no meio de uma estrada, o joelho de Claire quase como se não fosse erótico, o católico que descobre a loura Françoise na missa, Gaspard fingindo que não tem saída com as mulheres, François que descobre o namorado da sua quase namorada, Marion chocada ao perceber que ser adulto é viver com a mentira. Estas personagens não crescem: evoluem. Não aprendem: sujeitam-se. E mesmo se acham que seduzem, talvez seja apenas como em Kierkegaard: "Ele não seduz, deseja, e esse desejo tem um efeito sedutor."
Também isso ensinou Eric Rohmer, nosso aliado.
Pedro Mexia
sexta-feira, 2 de junho de 2017
quarta-feira, 31 de maio de 2017
quarta-feira, 17 de maio de 2017
terça-feira, 16 de maio de 2017
"Refazer por dentro aquilo que os arqueólogos do séc XIX fizeram por fora."
"Em todo caso, eu era demasiado jovem. Existem livros que não devemos ousar escrever antes de termos ultrapassado os quarenta anos. Antes dessa idade, corremos o risco de desconhecer a existência das grandes fronteiras naturais que separam, de pessoa para pessoa, de século para século, a infinita variedade de seres, ou, pelo contrário, de dar exagerada importância às simples divisões administrativas, às formalidades da alfândega, ou às guaritas do corpo de guarda. Foram-me precisos todos esses anos para aprender a calcular exatamente as distâncias entre o imperador e eu."
Anotações de Marguerite Yourcenar sobre o magnífico "Memórias de Adriano"
"Em todo caso, eu era demasiado jovem. Existem livros que não devemos ousar escrever antes de termos ultrapassado os quarenta anos. Antes dessa idade, corremos o risco de desconhecer a existência das grandes fronteiras naturais que separam, de pessoa para pessoa, de século para século, a infinita variedade de seres, ou, pelo contrário, de dar exagerada importância às simples divisões administrativas, às formalidades da alfândega, ou às guaritas do corpo de guarda. Foram-me precisos todos esses anos para aprender a calcular exatamente as distâncias entre o imperador e eu."
Anotações de Marguerite Yourcenar sobre o magnífico "Memórias de Adriano"
domingo, 14 de maio de 2017
quinta-feira, 11 de maio de 2017
terça-feira, 9 de maio de 2017
sábado, 29 de abril de 2017
segunda-feira, 17 de abril de 2017
sou um homem comum
qualquer um
enganando entre a dor e o prazer
hei de viver e morrer
como um homem comum
mas o meu coração de poeta
projeta-me em tal solidão
que às vezes assisto
a guerras e festas imensas
sei voar e tenho as fibras tensas
e sou um
ninguém é comum
e eu sou ninguém
no meio de tanta gente
de repente vem
mesmo eu no meu automóvel
no trânsito vem
quarta-feira, 5 de abril de 2017
segunda-feira, 3 de abril de 2017
o poema de matilde campilho me faz lembrar de ti
lamento muito sermos tão desencontradosdomingo, 2 de abril de 2017
(T.J Clark em "O Grotesco David com a bochecha inchada: Um ensaio sobre o auto-retrato." No livro Modernismos)
sábado, 1 de abril de 2017
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