@ tainah negreiros

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

you had a black shirt on with a big picture of Nietzsche



Discos e uma época, filmes e um tempo. Discos, filmes, lugares que saíamos e alguma casa que vivemos. Estou pensando esses dias em um projeto chamado "memórias de casas": casa em timon, em curitiba, são paulo, teresina e os pensamentos ligados a estes lugares como imagens, como sons, como músicas. Memórias do rio.
Esses discos do jens eu acho a cara dessa amizade amorosa, ou desse amor amistoso meu e de Arthur e dos lugares por onde a gente vai passando, conversando e vivendo essa vida.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011


ando numa adolescência tardia engraçada
como quando eu queria fazer filmes com músicas
a maioria delas do jens lekman, smiths
e belle
com direito a chororô vendo o fans only
como antes

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

domingo, 24 de julho de 2011

minha mãe guarda meus travesseiros e lençois
pra proteger da poeira
pra que eu não espirre
faz um bolo de laranja, tarde da noite
um suco de maracujá pra que eu durma bem,
fique calma, muito calma
tudo isso depois de muito trabalho,
um trabalho que exige uma doação pelo outro
é incansável
incansável é a minha mãe
quando o que está em questão é fazer feliz

quinta-feira, 23 de junho de 2011



I saw her in the demonstration, it was a sweet sensation of love
(ou a moça séria contra o machismo)

segunda-feira, 13 de junho de 2011



























"não se preocupe
se proteja"
tenho procurado um lugar seguro
na memória
na verdade eles me procuram
vem de repente
imagens que chamam as outras
sem explicação aparente
como trata Marker
outras que relampejam em um momento de perigo
como disse um dia Benjamin
imagens de felicidade
verdes como aquela

quinta-feira, 26 de maio de 2011

andei pisando pelas ruas do passado
criando calo no meu pé caminhador
dançando um xote,
tropecei com harmonia na melodia de "Pisa na Fulô"
andei passando como as águas como o vento
como todo sofrimento que enfim me calejou
terei futuro deslizando no presente
como o cabelo no pente que penteia meu amor

(alceu)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

pode o homem enriquecer a natureza com sua incompletude?
disse manoel
lembrei de tarkovski
rohmer
arthur pinta no canto da sala
lembrei da espera da minha mãe e do meu pai
pra que a roseira na varanda florescesse
deve ser isso

quinta-feira, 14 de abril de 2011

mari me deu de presente este fim de tarde que eu já conhecia
ouvindo zii e zie
(e a gente cantando junto na praia, ainda isso)
estou tomada por essa imensidão
por Sophia, por Tito
por duas mães
em alguma hora desconfiei que os carros também me dariam bom dia e ririam
porque todos me receberam tão bem...
cada uma dessas pessoas
na casa da minha irmã
na celebração da mari
a muzanga do camdomblé, o rezar de preto é alegre, lindo
do rio que eu não conhecia nem por foto, nem por canção.
E as longas conversas no ônibus com a cidade sobre nós devem ficar, sempre.

sábado, 12 de março de 2011

paisagens fluviais


três canções de tetê espíndola
são o bastante

uma manhã
eu criança, em timon, andando com meu pai
achando que a cidade era grande
depois descobri que aquele lugar onde tinha a árvore
que achava que era longe
era bem pertinho de casa

a dor do tempo, a ferroada do tempo
uma beira de rio

lembrei também de um sete de setembro
na jaime rios
me confundo sobre quais amigos estavam comigo, mas sei bem qual era o dia
uma sensação quase exata
a rua quatro
outra rua, aninha deitada na calçada
e um outro dia também, um zé pereira

a dor do tempo, a ferroada do tempo

quinta-feira, 10 de março de 2011

pequenas histórias de curitiba

uma professora dedicada
um aluno dedicado
ele trabalha em um lava carros depois da escola
lê clarice na aula
fuma maconha depois
e sabe tudo do que eu dei sobre guerra fria, tudo mesmo
ela recém deixada pelo marido idiota
prepara e pensa as aulas muitas muitas vezes antes
é muito justa
percebe em muriel uma delicadeza na leitura dos textos
é um menino incrível mesmo

uma emissora de tv quer um bom exemplo na escola pública
ela lembra dele
chama, avisa sua família
a emissora não vem
e eu ouvi tudo e senti muita muita raiva
eles assim, magoados por desinteresse
o que é mais distante e oposto do que eles despertam e merecem

--.--

eu e rafa na parada
reclamamos do preço da tarifa
alguns alunos entram pela saída, sem pagar
e ela
se eu não fosse professora
faria que nem eles

--.--

o aluno me pergunta se vale a pena se professora
eu digo que vale
se conseguir viver com pouco
com um casaco só, em uma casa de um cômodo só
ou se for sem filhos como eu
e poder escolher dar poucas aulas
ele diz que pensou nisso
mas que o pai queria que fosse engenheiro

--.--

último dia de aula do semestre
meu último dia no terceiro b
aulas liberadas
vou chegando num frio de lascar
com o visual boneco de neve de julho em curitiba
encontro valdeci na porta
ele deseja que dê tudo certo na minha vida

domingo, 27 de fevereiro de 2011



naquele pedaço de rua
a casa quase humana
meu navio para sempre fazendo água

em dias de calor úmido
a casa me atravessa
como um pássaro quebrado

(roseana murray)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ainda bem que eu tinha visto aquele rohmer das duas meninas
quando se olha uma pintura não se diz nada
só silêncio
dizia mirabelle
tirei a tarde pra ver as pinturas do arthur
outro dia eu tinha lhe pedido pra colocar as que vi na parede
como mirabelle, ele me disse
"você lê textos, ou poemas, o dia inteiro?"
é, não faz sentido vê-las o dia inteiro
não aguentaria
fiquei em silêncio, mas concordei
hoje foi grande, entendi o filme do rohmer inteiro
o entendi um pouco mais
uma lição de pintura
e de lidar

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

i have a love. i have a love for this world, a kind of love that will break my heart


Jens days, eu diria. Este deslocamento do íntimo ao coletivo de que ele fala muito me interessa. É como um maravilhoso movimento de ir e vir entre nós mesmos e os outros, entre nós mesmos e o mundo. Quando ouvimos de um romântico como ele, sobre essa necessidade de se deslocar, de entender os motivos do mundo é comovente. É como ele canta quando vê a menina na passeata anti-guerra, quando canta de uma"doce sensação de amor" em um dia como aquele. Salve Jens!

there's got to be someone here tonight
who can explain to me
how shadows can also shed light

how they can outshadow
what happened between us and outline
The burnt ground beneath us

i need to be explained to
over and over

how a broken heart is not the end of the world
because the end of the world is bigger than love

i was in Washington D.C. for the election
and when they announced the results
i left the procession
content in the world's direction

tried to call you for an explanation
of the distance to the star constellations
or any explanation of

how a broken heart is not the end of the world
because the end of the world is bigger than love

and it's bigger than an iceberg
than the plume of a geyser
and it's bigger than the spider
floating in your cider
and it's bigger than the stock market
than the loose change in your pocket
and the Flatbush Avenue Target
and their pharmacy department
and it's bigger than our problems
and I our inability to solve them
from Coney Island to Harlem
to the end of the world and back again

a broken heart is not the end of the world
the end of the world is bigger than love
às vezes eu me antecipo e arthur me desacelera
me recomenda um filme em que tudo pode dar certo
estas conversas de logo antes de dormir tem me salvado como quando nos conhecemos
a descoberta do mundo
ontem foi o poeta argentino Joaquín O. Gianuzzi


Minha filha se veste e sai


O perfume noturno instala seu corpo
em um segundo aperfeiçoamento do natural.
Pela graça de sua vida
a noite começa e o quarto iluminado
é uma palpitação de jovem felino.
Agora põe o vestido
com uma fé que não posso imaginar
e um sussurro de seda a percorre até os pés.
Então gira
sobre o eixo do espelho, submetida
à contemplação de um presente absoluto.
Uma doce desordem se imobiliza em torno
até que um chacoalhar de pulseiras sendo fechadas
anuncia que todas minhas opções estão resolvidas.
Ela sai do quarto, ingressa
em uma véspera de música incessante
e tudo o que não sou a acompanha.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

a moça que comprou nossa casa liga e meu pai:
"como está a goiabeira?"
"e a acerola dando muito?"
" e a planta que cheira? (o jasmim)

o telefone toca à tarde
é mamãe que liga
"comeu fruta?"
"não deixa de comer fruta?"

eu no quarto fugindo da claridade
calorão
ouço meu pai com fones no computador
assobiando uma música boa

como é que se salva isso?
é que eu preciso...

domingo, 2 de janeiro de 2011

domingo, 26 de dezembro de 2010

dos amô da cantiguêra


minha vó, seu corpinho miúdo
tanta tanta saudade
ela sente
já sinto dela

chão laranja, batido, poeira
a música da igreja de manhãzinha
que é toda toda minha infância
nas férias
as vozes, o dizer que sozinho já é suficiente pra me fazer chorar
e as flores esperando virar umbu
virar caju

em são raimundo é assim
tão pouca, tão pouca chuva basta
pra deixar tudo verde

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

tainah says: (3:24:52 PM)
a di me disse hoje
tainah says: (3:24:56 PM)
pintaram a casa de vermelho
tainah says: (3:25:05 PM)
tiraram as grades da varanda e puseram um vidro
tainah says: (3:25:12 PM)
nem sei se queria ouvir
tainah says: (3:25:15 PM)
mas fui eu que perguntei
Arthur says: (3:25:21 PM)
aff que bizarro
tainah says: (3:25:39 PM)
a di disse que ficou linda a casa

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010


minha paisagem é madrugada sem você

domingo, 28 de novembro de 2010

meu pai me diz
"se proteja"
"não deixa que todas as tristezas da cidade machuquem você"
"se proteja"
"nem sempre podemos fazer alguma coisa"
ele me conhece
e sabe que eu não esqueço de nada
quer meu bem
quer mais que só meu bem, quer o bem dos outros
e sabe da imensidão e tristeza do mundo
(sabe da alegria)

mas é que estamos em são paulo
se proteger não existe, pai

sábado, 27 de novembro de 2010


tenho sofrido daquilo que marker chama de
dor do tempo
a ferroada do tempo
uma vista do rio
e uma sensação sentada no chão da casa da minha vó
à tarde

sábado, 13 de novembro de 2010

Ele me escreveu dizendo que “sobre as imagens de Guiné Bissau deveria se colocar uma musica de Cabo Verde, como contribuição à unidade sonhada por Amílcar Cabral.
Por que um pais tão pobre e tao pequeno interessaria ao resto do mundo? Eles fizeram o que foi possível, eles se libertaram, expulsaram os portugueses, traumatizaram o exército português a ponto de esse iniciar o movimento que derrubou a ditadura e fazer crer em uma nova revolução européia.
Quem se lembra de tudo isso? A História joga pela janela suas garrafas vazias”



Oh nha guente
Nha cancera ka tem medida
Oh nha guente
Oh qu'afronta qu'm passa
Trinta ano di Sao Tomé
Leva'm familia
Dixa'm mi sô
Cu nha tristeza e nha sodade
Oh oi oi nhos leva'm ca nhôs dixa'm
Cabo verde é qu'é nha terra
'M qu'rê volta ma'm ca podê
C'atcha ninguem pa da'me di mon

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

sonho sujo #1


hoje sonhei com um gato preto e branco
que cuidava de mim
enquanto eu lamentava fazer as malas
para ir embora de uma velha casa
não era meu gato, não era minha casa
mas sabia quem eram
acordei às sete como se algo tivesse se partido

sonhei que ia à uma biblioteca com mais livros e revistas sobre Chris Marker
do que realmente existem
e o bibliotecário loiro me dizia que "some cities" era muito bom
nunca li

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

estou parte aqui
e outra parte, boa parte
está em timon
torcendo pra que chova

estou vivendo vários dias de chuva
da memória
dias próximos ao natal
lendo revista antiga
sobre river phoenix

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010



quando se acelera uma Morna
dança-se uma Coladera
dos confins da resistência camponesa na Ilha de Santiago em Cabo Verde
nasce o funáná que insiste
para que deixem
os rapaz vivir de si manera
as moça vivir de si manera
e tudo soa como uma voz de longe
um arrepio que sobe pela espinha
que faz sentir saudade
e faz querer voltar a ilha que não fui
como um desejo meu de mergulhar no vulcão
vou mergulhar no vulcão, meu amor

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

onde jaz o teu sorriso?


Danièle Huillet e Jean Marie Straub
duas presenças sob a penumbra
Pedro Costa desaparece
para lhes dar lugar
lugar a fala intensa de Straub
e ao silêncio concentrado de Danièle
ao tempo que conecta
aquelas palavras, aquela persistência do trabalho
aquele pedido de concentração
a sua busca
e sim, como reinvindicou Straub de que deve haver "algo que queima em algum lugar do plano"
há algo que queima
há algo que queima na insistência da fala de Straub
na insistência pelo trabalho de Danièle
e no equilibrio disso no ofício dos dois artistas
há algo que queima na imagem de Straub sozinho ao final
que acompanha
junto com a pergunta que da título ao filme
enquanto nos afastamos da sala de cinema.

domingo, 5 de setembro de 2010

Juventude em Marcha



um homem velho, Ventura
e uma canção que diz de uma juventude em marcha
um passado heróico de luta
a independência de cabo verde
um passado que também se confunde com uma carta de amor
que se repete como uma lembrança.

este filme se passaria aparentemente em dois momentos, a vida na periferia de lisboa destinada aos imigrantes, as Fontaínhas, e a mudança para os conjuntos habitacionais assépticos de paredes brancas, muito brancas.
Mas o filme trata de imprimir outros signos
de outros tempos, de outros pesos de viver aquele passado, presente e o futuro.
Há uma carta de amor, Ventura e seus muitos filhos fruto de uma experiência em comunidade, e há simplesmente uma confusão que não trata de nos explicar muito como Vanda, Lento, Nhurro passaram a ser seus filhos, mas entendemos.
Ventura está doente hoje, e Pedro Costa está lá com ele, por isso não pôde vir ao Brasil na mostra. Não parece, mas isso diz muito, muito sobre "Juventude em Marcha".

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

algumas coisas andam me pegando como quando eu tinha 10 anos.

sábado, 7 de agosto de 2010

but i know she was born to do everything wrong with all of that


pai
não estamos de lados diferentes
o nosso lado é o mesmo
afinal, foi você quem me ensinou que o lado em que devemos estar
é o de quem mais precisa da nossa força
e este lado que assumo desde muito pequena
mesmo que por vezes tenha sido dolorido
e desalentador
mas te ouço como se fosse naquela pequeninice
e sigo este caminho junto com você
deste lado do rio dos que não são dados os meios, nem a voz, sequer a chance.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

rise and monty kissing - nan goldin (1988)