@ tainah negreiros

domingo, 1 de julho de 2007

Tarde quente, Thamires na rede, ele em pensamento, e uma Clarice que diz.


"Tanta coisa que então eu não sabia. Nunca tinham me falado, por exemplo, deste sol duro das três horas. Também não me tinham avisado sobre este ritmo tão seco de viver, desta martelada de poeira. Que doeria, tinham-me vagamente avisado. Mas o que vem para a minha esperança do horizonte, ao chegar perto se revela abrindo asas de águia sobre mim, isso eu não sabia. Não sabia o que é ser sombreada por grandes asas abertas e ameaçadoras, um agudo bico de águia inclinado sobre mim e rindo. E quando nos álbuns de adolescente eu respondia com orgulho que não acreditava no amor era então que eu mais amava; isso eu tive que saber sozinha. Também eu não sabia no que dá mentir. Comecei a mentir por precaução, e ninguém me avisou do perigo de ser tão precavida; porque depois nunca mais a mentira descolou de mim. E tanto menti que comecei a mentir até a minha própria mentira. E isso - já atordoada sentia - isso era dizer a verdade. Até que decaí tanto que a mentira eu a dizia crua, simples, curta: eu dizia a verdade bruta."


4 comentários:

Thamires disse...

Eu :)
Tudo a ver o texto.
Amo. ;*

Lucy disse...

a cena perfeita :)

ai Clarice...

Pois sim, Pois não. disse...

Ah, lembre-se minha Tainah, que a terra ferVENTEresina, e que todos mentem pra mim, e eu me vingo acreditando!

te amo!

beijos meus

thiago disse...

ninguem nunca nos avisa das coisas mais importantes. Afinal, ja disseram que o que é realmente importante não pode ser expresso em palavras. Texto lindo, beijos