@ tainah negreiros

sábado, 29 de dezembro de 2007

O céu aqui é mais bonito e não é por culpa do céu, a gente sabe.

Não posso pensar em tudo, mas penso, penso em tudo e quem jamais entenderia.
Sei que algo me lembra a poeira que Shepard teria visto, e o amor que teria sentido, e isso de alguma forma sorri pra mim, nos sorriu aquela noite.
Penso no deserto, em desertar pra encontrar o que é anterior, o que é inevitável e é bonito. Ontem eu vi o deserto do alto, o chão era laranja e o céu é daqueles que distingue bem o que é azul do branco.

uma voz ao telefone
e um nome
que nessas noites do norte
é a minha prece

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007



O amor natural. Ou o amor segundo Apichatpong Weerasethakul.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Os olhos dele são meu milagre.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007


Uma nova vida por vir.
Um homem
Uma mulher
uma procura.




Algo pra escrever, que escrevo pra ser imagem. Acabei voltando a isso depois de uma conversa nossa entre papéis e carinhos na cama bagunçada. É sobre o que disse, mas é também sobre luz que invade a casa, sobre vida

sobre nós.

domingo, 16 de dezembro de 2007

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

sobre ser passarinho


isso de céu enorme ao fundo
e pousar tranquilo

sobre estar longe do mal
do mal do mundo
se afinal o mal existir

isso sobre o bem
sobre ser o bem com asa












sobre passarinhar no fim do dia
agora eu sei

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sei que há algo de inquieto quando sei de sua mãe, acho que sei algo dela. Descobri isso hoje de manhã enquanto olhava suas costas enquanto dormia. As costas, os olhinhos e o sono me aproximaram da mãe de alguma forma. Não sei se do que ela é, mas do que poderia ter sido.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

às vezes a noite é maior que eu




vou dormir sobre o teu sono
pra te alcançar

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

ontem à noite

o sapinho deu um salto
pulou por medo do medo meu

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

No sertão em outubro
flor quer dizer espera

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Notícias do arco-íris enquanto Thom nos conta sobre o que ele acha de grandes idéias e do que parece que sempre vai faltar. Achei bonito ele falando da dança da moça e do jeito como ela fez isso ou aquilo numa certa noite.

e tem um amor, um amor que fica, que surge fora do controle na fita de vídeo
on the videotape
on the videotape



dia bonito, o mais bonito que ele já viu.

domingo, 7 de outubro de 2007

"o dia vai morrer aberto em mim"

Manoel de Barros

domingo, 30 de setembro de 2007

aos trabalhadores de domingo

um ombro
talvez não tanto
mas um entendimento
um acenar com a cabeça que sim
sobre cansaço
cansaço quase meu
ou talvez
por sorte, quem sabe
seja um bom dia

terça-feira, 25 de setembro de 2007

sábado, 8 de setembro de 2007

E foi no supermercado que mais uma vez aconteceu. Pensei no caminho de taxi até o apartamento, no elevador, no jeito que ele pegou no meu braço e disse uma coisa bonita, e o beijo. Sei de cada um daqueles minutos, segundos. Mas quando algo como isso acontece a sensação é de que foi tudo ontem, há pouco. Engraçado ninguém ter notado, mas eram muitas compras, preços, sacolas, e eu ali, me apaixonando mais uma vez.





É de todo dia.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007


Here she comes,
You'd better watch your step,
She's going to break your heart in two,
It's true.

It's not hard to realize,
Just look into her false colored eyes,
She'll build you up to just put you down,
What a clown.

'Cause everybody knows
She's a femme fatale
The things she does to please
She's a femme fatale
She's just a little tease
She's a femme fatale


See the way she walks
Hear the way she talks.



domingo, 26 de agosto de 2007

apenas a matéria vida era tão fina

O filme dentro do filme de Eduardo Coutinho procurava contar uma história encenada. O filme do filme, o filme outro é fora do controle, adoravelmente fora do controle já que o lhe interessa é o humano. Mesmo que seja clara a importância que Coutinho dá as ligas camponesas, aos nomes e suas histórias, mas há ali humanidade que se dá pelo tom, pelo frágil, pelo "como" e não pelo "que" que faz que o filme nao se encerre. Cabra Marcado pra Morrer passou na tv ontem e se mostra adorável. Acordei pensando nele, pensando em Elisabete, em João, e nos filhos que entenderam e na filha que chora sem entender direito porque só ela a mãe "entregou". E desses porquês e na falta deles que Coutinho circula, acompanha, e nem é preciso dizer tanto. Coutinho escolheu Elisabete, aqueles homens e mulheres, nem é preciso apontar, a sua existência na tela já é contundente. Coutinho sabe que aqueles homens e mulheres antes de falar, contar, antes de tudo isso, eles existem.

domingo, 19 de agosto de 2007

Já sabia da falta que eu iria sentir.

sobre sentir o tempo

pelo cheiro que a camisa perde
pela pele que não quer só camisa
e o peito
e o sono
e esse meus sonhos de noite inteira

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

O céu e uma bela resposta em cores.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Notas sobre a noite

Eu ainda acho Beautiful do Belle a canção mais triste que já ouvi.

A saudade me pegou no pequeno corredor de casa.

Me perco numa camisa.

Ele.

sábado, 4 de agosto de 2007



A mulher nos advinha.



"O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte.
Deve-se deixar-se inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós."

Clarice Lispector

domingo, 29 de julho de 2007

e essa falta que é presença
cheiro, peso
e uma franqueza que eu posso tocar


Às vezes eu dou pra falar de amor. Algumas poucas vezes já que ele também é silêncio, pensamento e tanto mais que palavra não diz. Esses dias aqui sem ele, e com ele, sempre com ele, pensando sobre nós, lembrei do som, de como meu sorriso surgia ali. Aquele sorriso que talvez seja o meu melhor.





Tão longe, tão perto, em toda a falta de sentido dessas medidas e números que chamam distância.



Aqui.

sábado, 28 de julho de 2007

O nome era dela
isso ela não inventou
inventou homens, bichos, crianças
pariu dolorosa
Pariu meninos
guardou segredo

A palavra não encerra o olhar
Apesar da fúria
Fúria doce
Candura
de uma história que não tem fim

a mulher se desculpa
se sente cansada
mas não é triste
é criança
por sorte
por sorte nossa, dela
por sorte
ela não cresceu

terça-feira, 24 de julho de 2007


Um jeito de piscar os olhos levemente que eu não esqueço.



A cidade se movimentava à despeito de nós. Mexia, erguia, funcionava dando razão ao que chamam cidade maior. E a gente, a gente era só minúcia.

sábado, 21 de julho de 2007

terça-feira, 10 de julho de 2007

Há bem mais sóis queimando entre as estrelas

Tive um sonho ruim hoje. Sonhei que queriam me matar, puseram uma arma na minha cabeça, que agonia, eu vi tudinho, vi meu rosto aflito, e lembro bem de ter pensado: "Não, não agora, eu ainda tenho que encontrá-lo". Engraçado como os sonhos são, agora eu rio, rio de como eles podem ser verdadeiros na sua falta de sentido.
Não, não me mataram. As minhas preces se atendem também em sonho e eu acordo quieta e torcendo pra reaprender a dormir, só deitar e ficar quieta, e que venha, que o sono venha calmo feito o sol que chega, chega fora de hora e me faz tremer.

sábado, 7 de julho de 2007

Ele me fala sobre escrever e é nisso que eu penso. Não, não, as minhas academicices não são suficientes, há carinho, vontade, mas não é o que tenho que fazer agora. Quero escrever coisa outra, algo íntimo, íntimo o suficiente pra mostrar-se como nudez . E é preciso coragem.




Tenho.

domingo, 1 de julho de 2007

Tarde quente, Thamires na rede, ele em pensamento, e uma Clarice que diz.


"Tanta coisa que então eu não sabia. Nunca tinham me falado, por exemplo, deste sol duro das três horas. Também não me tinham avisado sobre este ritmo tão seco de viver, desta martelada de poeira. Que doeria, tinham-me vagamente avisado. Mas o que vem para a minha esperança do horizonte, ao chegar perto se revela abrindo asas de águia sobre mim, isso eu não sabia. Não sabia o que é ser sombreada por grandes asas abertas e ameaçadoras, um agudo bico de águia inclinado sobre mim e rindo. E quando nos álbuns de adolescente eu respondia com orgulho que não acreditava no amor era então que eu mais amava; isso eu tive que saber sozinha. Também eu não sabia no que dá mentir. Comecei a mentir por precaução, e ninguém me avisou do perigo de ser tão precavida; porque depois nunca mais a mentira descolou de mim. E tanto menti que comecei a mentir até a minha própria mentira. E isso - já atordoada sentia - isso era dizer a verdade. Até que decaí tanto que a mentira eu a dizia crua, simples, curta: eu dizia a verdade bruta."


Os dias passaram.

Fazia tempo que eu não reparava tanto nos minutos, nas palavras e na minha falta de jeito pra lidar com algumas coisas. Mas não é fácil sair do ninho, é feito parto, um parto outro, coisa de vida. Mas gosto de pensar na crença que surge em meio a tudo isso, nesse desejar intimamente que beira doer, e dói. E hoje eu rio. Há um riso agradável no meu rosto, minha espera é contente, carinhosa e entregue. Há um riso quase delirante nesse meu pertencer. Acho bonito, bonito demais.




O que passa por essa janela agora?

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Há uma criança
Há duas
um rosto enfiado no travesseiro
uma voz que falta
e eu sei que os ruídos
dizem sobre algo mais
de nome bonito e grande
quando significa

às vezes dou pra saber das palavras
e do silêncio que vem depois delas
sei também de um não largar
de um não largar maior do mundo
de uns nomes, de um jeito de se dizer
sei da neblina que eu não vejo
da náusea que eu quase pude sentir
de uma dor que aumenta à noite
e do que palavra não abarca

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Noite com sonho
Beijo, colo, segredo e abraço
Quem jamais entenderia essa falta de quem parece já ter
E tem

Carrego uma vida nas mãos
A minha prece
A minha benção
O frio da cidade que me alcança
Essa pele é minha
E esse peito
E esse peito

Estou em carne viva
Estou em carne viva
mas eu espero
eu vivo
eu amo

domingo, 24 de junho de 2007

Esses dias

O que eu faço com os meus passos pesados pela cidade? Andei reparando no meu andar por aqui e nossa, é pesado, arrastado. Eu me assusto e o meu caminhar carrega o meu querer e o meu assombro por uma cidade que dia após dia não é mais minha. Não sei bem se um dia ela foi, não sei, mas já me senti à vontade, já vivi a cidade, do meu jeito meio torto, mas vivi. Aprendo a fazer oração, e eu faço, sozinha na rua eu falo em um deus como se ele fosse meu, eu ameaço chorar, silencio. Não é fácil, não é fácil querer, sei que não é.

Eu ainda vou falar muito o nome dele sozinha até lá.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

O nome dele é a minha prece.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Ensaio

Dança, ruído
palavras que teimam em querer ser boca
em querer ser ouvido
Desejo que procura lugar
Encaixe
E uma noite de ensaio
que apaixona
feito vida que inicia

sábado, 9 de junho de 2007

Felicidade Clandestina

Quem sabe eu aprenda. Quem sabe um meteoro caia sobre a minha cabeça nos próximos dias. Quem sabe os dias passem mais rápido do que eu imaginaria.

Quem sabe.

Agora eu tenho tudo isso no colo, nas mãos, no peito e eu seguro tão forte, tão forte, e ando por aí com todo peso que alguém apaixonado tem, eu ando por aí com o peso da distância, com o peso do tempo, do tempo que eu me alimento, do tempo que traz e leva as pessoas. Algumas eu sei que ele nao vai levar, e como é bom dizer isso nesse instante, às vezes eu dou pra ter fé, sabe, às vezes o mundo me traz isso e é bom, eu gosto de mim assim. Deito, perco o sono, sonho, choro, rio, celebro e amo, amo como nunca. A verdade é que eu acredito em milagres, daqueles que não vem de santos, mas vem de preces e de uma crença tão íntima que dói, num acreditar tão verdadeiro que não há escolha. Não, não há.
Não, eu nem quero tanta coisa, a resposta pro meu querer é bastante simples, simples demais. Quero dizer sim com um aceno, com um beijo e com um não querer largar maior do mundo.


"Que coisa grande essa! " - É meu peito que diz.

domingo, 27 de maio de 2007

construiu sua casa feito ninho
beijou sua mulher perto das nuvens
num concreto bordado nas alturas
com manobras de amor no precipício

E esse fogo encantado que por vezes toca e queima. E essa terra quente, lugarzinho estranho de encruzilhadas, rodopios, onde dou meus movimentos estranhos por querer. E eu quero , adoeço por querer, e por vezes, muitas vezes, eu já me perguntei como eu vou aguentar viver assim, dolorosa desse jeito. É quase engraçado o jeito como eu não sei dar jeito pras minhas coisas, pros meus desejos, grilos e ânsias. Ô menina ansiosa, agoniada! Eu ando de lá para cá, sento, choro, me recolho, mas eu sou assim sem jeito mesmo e viver é assim, perigoso demais, doloroso demais e quente.


Por aqui, viver arde.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Essa semana ando pensando muito em Almodóvar. Penso sobre dor, sobre dor que não passa, e sobre como seu cinema trata isso. É sempre muito familiar pra mim a noção de que devemos arranjar um jeito de sanar a dor, anestesiá-la, isso que vem não sei de onde, sei lá, de uma cultura que se criou, da nossa relação com o incômodo, com o inevitável, ou desse mundo esquisito e de seus remédios. E acabo reencontrando Almodóvaro e seu cinema fascinante, ele e SUA longa história de dor, paixão que ele vem contando em muitas. E o que me pega esse dia é um olhar mais atencioso as suas personagens, elas, eles, que apesar da dor, agem por ela. Sim, agem por ela, é esse seu jeito de lidar, sua maneira de seguir com a vida. A dor movimenta, inquieta, sacode o mundo. Seus personagens não conseguem dormir na mesa cama após uma separação, choram com belas canções, ah ! nossa, e eu ando tão enamorada de suas mulheres esses dias. De suas mulheres que amam, de suas mulheres que berram, gemem, correm, choram e sorriem depois. Perguntam a Pepa: “Quantos homens você teve de esquecer?”, e ela pensa em todos eles, o quanto os ama e os odeia com força. Adorável como as mulheres de Almodóvar conseguem querer bem à despeito do que é cruel, à despeito da dor, à despeito do que lhe fizeram. A mulher corre ao aeroporto pra impedir que matem o homem que a largou e que ela ainda ama. A mulher enterra dignamente o homem que a maltratou. Difícil esquecer tudo isso, difícil ficar longe dessas mulheres e não lhes querer bem. Difícil ficar longe delas em dias estranhos como esses. Ah! Esses dias...

terça-feira, 8 de maio de 2007

Para moças flores, janelas e quintais


Queria ser um pouco como aquelas pessoas que sabem imitar barulho de passarinho, que sabem nome de panta, de bicho e de uns lugares escondidos pra se fugir. Mas eu não sei nada disso e isso nem me faz pior, mas eu queria, queria muito.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

A lei do desejo

Um reencontro com O Pântano.


Lençóis amarrotados e corpos que se tocam e se querem em um dia de calor.
A água toca o corpo da menina no chuveiro. A mesma menina faz uma prece em agradecimento pela existência da outra menina. Ela deseja.
O que dizer de como a água molha os corpos num filme de Lucrécia Martel? O que dizer do toque? É sobre isso que quero falar, de toque. Não só de toque, mas do cheiro dos personagens que eu quase posso sentir daqui.
Falar desse cinema não é fácil, já me arrisquei fazendo isso aqui e foi tranqüilo mas nem sempre é, nem sempre é fácil falar de algo meio sem razão, ou falar de um cinema instintivo e corajoso como esse. É que Lucrécia entendeu que a gente é bicho. Que ela, eu, você, somos assim, homens, mulheres sem razão e isso é bonito demais, demais, demais. Não dá pra dizer mais, não dá, não pra mim. É pra ver, ouvir e não se livrar depois.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Engraçado como eu não acho o que escrever aqui. Esse texto é sobre não ter o que escrever. É, mais ou menos isso. Juro que não quero falar dos filmes, nem de amores perdidos, nem das minhas noites que andam cada vez mais estranhas e sem sono. Mas se bem que têm esses romances, adoro romances no cinema, é sempre gostoso falar deles. Gosto dos Tenenbaums, gosto do carinho da câmera de Wes Anderson e do jeito como ele pôs a canção da Nico, ah! A canção... E é isso, vivo de frases soltas, pensamentos avulsos e escritos tortos mas que, acreditem, apesar da minha azedice, são ainda cheios de carinho.





" I've stopped my rambling..."

domingo, 8 de abril de 2007

Tarde de domingo. Não me sinto bem. Elliott diz, diz, e diz.

Between the bars
(Elliot Smith)

Drink up, baby, stay up all night
The things you could do, you won't but you might
The potential you'll be that you'll never see
The promises you'll only make
Drink up with me now and forget all about the pressure of days
Do what i say and i'll make you okay and drive them away
The images stuck in your head
People you've been before that you don't want around anymore
That push and shove and won't bend to your willI'll keep them still
Drink up, baby, look at the stars, i'll kiss you again
Between the bars where i'm seeing you
There with your hands in the air waiting to finally be caught
Drink up one more time and i'll make you mine
Keep you apart deep in my heart separate from the rest
Where i like you the bestAnd keep the things you forgot
The people you've been before that you don't want aroundanymore
That push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still

sábado, 31 de março de 2007


Eu deveria vir até aqui e falar de Stalker. Falar dos cenários, da mise-en-scène, ou de como seus atores são magníficos. Usar linhas e linhas falando de sua cena final e do meu arrebatamento. Poderia vir e falar de toda a sensibilidade de Tarkovski e de como ele faz de seu filme um poema que acalenta corações perdidos como o meu. Ou ainda, falar sobre a febre que senti, ou falar do choro. É, talvez eu devesse fazer tudo isso mesmo.




Mas prefiro só dizer que ele me roubou do mundo. E que agora, nesse instante, não penso em nada melhor que se possa fazer por alguém.

sexta-feira, 30 de março de 2007


"I'll be your plastic toy"

terça-feira, 27 de março de 2007

Sobre mulheres, dores e tons

Disseram uma vez que os grandes diretores estão fazendo sempre o mesmo filme. Diverso, porém o mesmo. Após ver este Volver me veio na cabeça isso. Lá estão as mulheres, mães, filhas, irmãs em todas as suas possibilidades. Lá estão suas mulheres agindo feito loucas sob uma moral senão outra que a materna, do tudo possível. Lá estão elas e a câmera de Almodóvar se enamora delas. Volver poderia facilmente, e sem perder o brilho, chamar-se Tudo sobre minha mãe e ainda sim, seria um belo título. Mas Almodóvar quer mais, há algo de novo na sua história, ele quer falar sobre volta, não redenção, mas sobre sobre voltar para casa, pra a vida, sobre simplesmente dar meia volta quando tudo que se ouve é sobre seguir em frente. É possível voltar, Almodóvar nos diz, e disso surge um belo cinema. Por vezes seus dramas e dores são novelescos, trágicos, mas o fato de que em cada fotograma percebermos o seu amor por suas mulheres, por seus personagens, por sua história, torna seus vermelhos, verdes e cor-de-rosas ainda mais francos e bonitos. O melodrama, a dor, e o riso, apesar da dor, é o que Almódóvar tem. A história que ele quer contar no cinema é essa, por mais diversa que ela por vezes tenha aparecido na tela.
Confesso ser ainda muito ligada ao velho Almodóvar, passei dias, meses pensando e sentindo o seu A Lei do Desejo, mas agora, em março de 2007 encontro este Almodóvar solto, apaixonado enchendo a tela de vermelho outra vez. Ela está mais límpida e clara, sim, mas ainda há paixão.





E muita.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Eu e o Cinema


Gosto do Cinema que me faz lembrar que a vida carece de sentido.


Se a vida não faz sentido, porque exigir isso do cinema? Fico feliz quando vejo um filme que reconhece que tudo anda tão estranho, perdido e sem razão. Fico feliz quando o que se filma é frágil, imperfeito, incerto como o humano. Não gosto de truques, não gosto, não gosto, não gosto em lado nenhum do que me cerca, sempre fui avessa a eles e isso também sempre me irritou ao me deparar com o que se propõe a ser uma obra de arte, e mais que isso, no que se propõe a ser honesto. Quando falo de Cinema, não quero que ele tente me enganar ou seja espertinho, isso não me interessa. Gosto do Cinema franco. É lindo demais ver a imagem sendo usada não só porque é possível, mas pela impossibilidade da palavra. É como se o diretor dissesse: “ Isso que tenho só é possível de ser mostrado, não dito”. E eu fico com vontade de chorar com isso, ah, eu fico. Penso em um filme dos Dardenne e até hoje tento falar com alguns sobre o sentimento do homem que se afeiçoa ao menino que matou seu filho há anos atrás, o homem sente e ao mesmo tempo se odeia por isso. Como diabos explicar esse homem? Não há razão pra ele, nem pro menino, ainda uma criança. Ainda na escrita desse texto, penso em Tarkovski e no nariz que sangra, na casa que queima e na mulher que chora. Penso em Lucrecia e na menina que deseja, à despeito de tudo. Nem sempre eu soube o que se passava ali com aqueles homens, mas o cinema no seu som, silêncio e significado me deixa chegar mais perto. E eu chego, apesar do que me é estranho. Isso porque o cinema é humano, é produto do humano e eu aqui no auge dessa humanidade dolorosa e incerta não sei direito onde ir. Por que os personagens devem saber? Porque suas ações ou falta delas não podem ser tão chatas e tolas como a vida é? Por que o homem não pode de repente criar um estranho carinho pelo menino que matou seu filho, se ele também era uma criança? Porque a menina ao invés de sentir asco não pode sim sentir compaixão e carinho pelo homem que a molestou? Por que o homem anda, anda, recolhe-se em seu silêncio apesar de tudo que vê e sente? A vida não é feita de respostas exatas, não, não é. O Cinema que por vezes me encanta, é o que também não as tem. O diretor filma suas perguntas, não suas respostas prontas em um mundo que não tem como responder.
Pode parecer carência, mas o Cinema pra mim nunca foi mera distração, quase nunca não. É experiência, encantamento, companhia frente a toda estranheza. Esse Cinema que tanto me emociona, é como um colo.


terça-feira, 13 de março de 2007






Eu ainda não sei o nome disso que ele me traz.










segunda-feira, 12 de março de 2007

Eu tinha pensado em nem pôr mais letra nenhuma aqui, até ouvir essa maravilha do Flaming lips. Pensei em pôr um verso, sei lá, mas como diabos com ela toda linda do jeito que é? Sei nem o que dizer, me pegou e não larga mais.

Do You Realize

Do you realize that you have the most beautiful face
Do you realize we're floating in space
Do you realize that happiness makes you cry
Do you realize that everyone you know someday will die

And instead of saying all of your goodbyes - let them know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round

Do you realize - Oh - Oh - Oh
Do you realize that everyone you know
Someday will die

And instead of saying all of your goodbyes - let them know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round

Do you realize that you have the most beautiful face
Do you realize

domingo, 11 de março de 2007


O diabo é que a gente fica querendo dar nome pra tudo. Sempre senti um grande apreço pelo que a gente não sabe direito como nomear. Sentimentos, impressões, relações. Relações sem nome, endereço ou razão. Daí a gente se inquieta até encontrar fim e um começo pras coisas, e elas por vezes não têm. É uma bagunça isso aqui, tenho que me dar conta disso. Tem nadinha ir pela borda, passar pela grama, ir rápido, depois devagar. É bonito, é possível seguir e sentir mesmo sem saber o nome do que é.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Cherry Blossom Girl

O barato agora são os alucinógenos alternativos. Eu fico com Air.







"I'm a high school lover, and you're my favorite flavor"

quarta-feira, 7 de março de 2007

Que belo filme! Não dá pra começar sem dizer.


Dá gosto ver como Karim Aïnouz filmou este Céu de Suely. E é bom logo falar do céu, porque já no começo ele está lá lindamente fotografado por Walter Carvalho. E fazia tempo que eu não reparava tanto no céu em um filme.
É preciso falar também do olhar, do jeito carinhoso que o diretor filma, e como essa forma de filmar surge como um pedido pra que cheguemos perto de sua protagonista, dela que sente tanto, que sente muito e ainda não sabe direito o que fazer da vida. Aïnouz pede e a gente atende, porque é difícil resistir a ela seja na sua força ou na sua dor. Hermila é adorável quando ama, odeia, quando olha pro céu, quando diz coisa nenhuma ou quando quer “deixar o menino no mato e sair correndo”. São todos olhares que o diretor nos deixa ter, não nos impõe, ele deixa. E não é fácil olhar alguém assim tão francamente, tão de pertinho como olhamos Hermila nesse filme. É difícil, mas graças ao cinema, graças ao carinho, a gente atende ao pedido de Aïnouz e vale muito, muito à pena.

terça-feira, 6 de março de 2007


Vontade de ir à praia. Vontade de ir à praia e dançar meio sem jeito uma canção do Manu Chao depois de beber qualquer coisa maluca.



Que voy a hacer, je ne sais pas
Que voy a hacer, je ne sais plus
Que voy a hacer, je suis perdu
Que horas son, mi corazón

quinta-feira, 1 de março de 2007


E os sonhos são ainda mais sujos.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Deve ter algo de errado com o mundo, algo com o alinhamento dos planetas, sei lá.


Há muita dor. Primeiro minha mãe, hoje acordou doente, frágil. Logo ela, a mulher mais forte que conheço. Depois, logo a noite, depois do maior dos desencontros, e do choro em banheiro sujo, fui pra aula dela, da mulher. Hoje a vi chorar e foi tão cruel que eu torci pra esse mundo ser um pouco melhor, torci pra que a vida fosse menos injusta, só pra ela não chorar assim, não ela. Ela, a professora, firme, segura, corajosa, chorou, chorou a perda e mais uma vez foi franca, esteve ali por inteiro. E eu ali me parti em duas pra entender como de repente as coisas acontecem, as pessoas entram, saem, vão embora. Olhei ao redor, meus amigos, pessoas queridas, outras nem tão queridas assim. O choro da mulher me fez pensar. Encontrei comigo e doeu. Chorei também, algumas palavras saíram, mas entre um e outro engasgo. Foi um dia difícil. Voltei pra casa com as mãos no bolso, olhando da janela e tentando entender sem fazer pergunta.





E eu não esqueço dela.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

We are the sleepyheads



Hoje vi esse filme zangado. De uma zanga bem parecida com a minha. Sabe birra, amargura, raiva, raiva mesmo do mundo. Pois é, ele é bem assim. Por vezes eu senti o cansaço de seus personagens, seu mal-estar do mal colocado, do incerto. A certa altura deste Ghost World, a personagem de Thora Birch alfineta como resposta a um amigo que resmunga o fato de não conseguir se dar bem com ninguém : “Só os idiotas têm bons relacionamentos!”. É, talvez Einid, a personagem de Thora, tenha razão, pessoas de verdade ( e não as de plástico que o Radiohead já cantou) só se estrepam, se fodem e se ferram. É isso aí, o filme foi oportuno na minha azedice, talvez daqui a uma semana eu o ache uma droga, talvez não. O certo é que os personagens são muito familiares, dolorosamente próximos na sua estranheza. Parece adolescente se sentir mal por não ter onde ir, por não querer ficar nem aqui, nem acolá, não querer quem te quer, e quem não te quer também. Parece adolescente, mas no filme de Terry Zwigoff estar ferrado é humano. Não é bem uma questão de escolha, é a falta dela.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007


Não canso de ouvir I'd rather dance with you do Kings of Convenience.
Experimenta ouvir e ficar sério. Experimenta ouvir e não querer ensaiar os mais desengonçados passos de dança.
Deliciosa!


Noite alucinada. Reencontrei meus meninos, meus garotos preferidos tão perdidos quanto eu naquela Universidade de merda, que a cada dia tem menos a oferecer. Até encontrar com eles hoje, era só no que eu pensava.

“Mas não é só isso
O dia também morre e é lindo
Quando o sol dá alma
Pra noite que vem


Vê, são tantas histórias
que ainda temos que armar
que ainda temos que armar”

Os maiores malucos, doidos, doidos, com canções e as idéias mais erradas e tontas do mundo, que nem as minhas. É bom se perder. Depois da noite, um texto bêbado pra esse blog pálido e tristonho. Juro, há dias sinto uma peninha dele assim...Não me peça reflexos nem bom senso. Não tenho eira nem beira, sempre fui assim, fui inventar de querer me encontrar, me estrepei e deu nisso. Mas é bom vir aqui, mais e mais percebo isso. A cabeça já dói um pouco, deve ser hora de dormir.

sábado, 10 de fevereiro de 2007


" ache belo tudo o que puder, a maioria das pessoas não acha belo o suficiente"



Van gogh me diz nessa noite esquisita, solitária. E eu me sinto tão só hoje que tomei as cartas que Van Gogh manda a Théo pra mim, é pra mim que ele fala hoje. De fato, é uma boa companhia, é um colo.

I always cry at endings


Voltei a chorar.



Eu não sou boa com essas coisas, é a verdade. Todo dia tem a hora do choro, é assim, eu dou umas boas risadas durante o dia, até voltar a ler Bukowski eu voltei, mas chega a noite e eu me encolho. Hoje foi canção dos Smiths, vai ser o que amanhã? Essa merda de blog não tinha o propósito de servir de desabafo mas a essa altura eu já não tenho mais propósito nenhum, eu sinto é raiva.



E eu odeio sentir. Sinto compaixão também, mas só às vezes, ela logo passa. Eu sei, caro raríssimo leitor, você não tá entendendo nada. Mas é simples, eu não sei lidar com fins, com o fato das coisas passarem, é isso. Não tem texto bonitinho e bem feito não. É só um texto raivoso e ressentido mesmo.

Pensando bem, acho que tanto o riso, quanto a dor é que na verdade as coisas não passam, elas ficam demais, bem que eles deviam passar tanto quanto parecem. Bem que deviam.







Uma das minhas canções preferidas de todos os tempos toca agora por aqui. Parece com a gente. Parece comigo.


There's a light that never goes out



Porque é a lei.
Quando se aprende a ser verdadeiro e não se desaprende mais o mundo fica estranho. Me sinto assim, à beira do abismo da verdade descabida e desmedida. Baixou a Carmem Maura que grita por água em dia de calor.


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

"Só a noite é que sabe que a vida não tem jeito"
Zeca Baleiro

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

"the best looking boys are taken/ the best looking girls are staying inside"



Dia de meninice. Isso de alguma forma deve ser bom. Como diz Tarkovski, mas dessa vez o pai, Arseni: "E eu sonho com outra alma vestida com outra veste". Quero uma mais alegre, de criança, que conta choro e não riso. Por isso Schiele e suas meias, saias e meninas.
Decidiram me emocionar, engraçado, em um dia, decidiram me dizer coisas bonitas e darem os olhares mais deliciosamente francos possíveis. É bom seguir assim, desse jeito eu até aguento a cidade, a saudade e as horas.

Vontade de comer waffles de morango.

A manhã foi deliciosa, a vida é cheia de ciclos e é fevereiro. Deito no chão frio pra ouvir Belle and Sebastian, o cd vermelho, e ficar tão emocionada como se fosse a primeira vez, e no rosto um sorriso que deve ficar mesmo sem rir.
Pensei que fosse chover, juro, com o calor que fez hoje, pensei que o céu fosse se render e mostrar que ele também não resiste, mas resistiu. É, dona chuva, fica pra amanhã, mas fica mesmo porque por aqui, por essas bandas mais quentes do mundo, chuva consola.
Fiquei bastante pensativa sobre as canções do Belle hoje, acreditem, fazia tempo que não ouvia, na verdade andei fugindo do que me emocionava demais, ficou a dança, a despretensão mas hoje voltei a encontrar Judy e o menino que faz errado de novo e foi bom, foi muito bom.






Chove. O céu é como eu, não resiste.

domingo, 4 de fevereiro de 2007


Mas às vezes, às vezes as pessoas salvam.

Preciso ir embora desse lugar.

domingo, 28 de janeiro de 2007

"O desejo não é de se brincar com ele. Ele é nós" Clarice Lispector

Sobre o filme de Lucrécia Martel.

Menina Santa é um filme sacana. Adoravelmente sacana, eu diria.


Vi esse filme já há algum tempo, mas depois de uma deliciosa conversa com um amigo esta tarde decidi me voltar a ele e às suas nuances. É bom voltar, afinal, um cinema significativo como esse é o que é pelo seu indefinido, infinito e interminável.

Apesar de não considerar este um filme meramente narrativo, posso dizer que sua história gira em torno de acontecimentos vividos durante a apresentação de um músico e de seu teremim. Teremim é um instrumento que soa sem ser preciso tocá-lo, mas sim através dos movimentos do músico. Nessa ótima idéia e numa bela construção de cena, surge uma das grandes sacadas do filme de Martel. O teremim é a alegoria do desejo, do desejo que paira, que está por toda parte, que não precisa do toque, que existe mesmo sem ser consumado. É o desejante, o desejado derramado na tela lindamente, desde a canção religiosa cantada no início, ao beijo trocado entre amigas. A diretora constrói um clima, uma atmosfera envolvente para tratar do desejo, do humano.
O que Martel filma é o por um triz, é o que pode ser desencadeado e faz jus as palavras de Antonioni que acredita que somos todos doentes de eros, por isso tanto desatino, tanto a se ganhar ou a se perder. Por isso a câmera de Martel não julga, é lindo ver isso, seus personagens agem, querem, mentem, abusam, mas ela os filme com a franqueza e com a atenção de quem respeita. Afinal, eles são nós.
Mas ainda há vida, muita vida.


É estranho como em momentos ruins o mundo se mostra e às vezes até sorri pra você. Talvez a minha descrença não tenha tanta razão de ser. Sim, há o ruim que passou mas as pessoas me apareceram esses dias, cheias de luz, com uma serenidade e um carinho que fizeram os dias ficarem tão melhores. É, pessoas de perto, amigos maravilhosos, alguns nem tão amigos assim mas que o olhar conforta. Tem gente de longe que acabou ficando e acho que desse lugarzinho ao meu lado não sai mais.

Essa postagem não é pra ser bonita, nem bem escrita, só franca mesmo. Como celebração a esse outro lado que se mostrar sobre a poeira.


E eu posso até sorrir.

sábado, 27 de janeiro de 2007

Morri um pouco hoje.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007


Noite.

Já estou até sonolenta mas os pensamentos me pegam e deu vontade de vir aqui falar de mim pra poucos estranhos e alguns conhecidos, já que quase ninguém lê esse blog. É quase como conversar comigo mas eu faço e é gostoso. Essa paginazinha branca é agradável de preencher.
Eu ando agoniada, passou, passou, a serenidade de alguns posts anteriores se foi e eu ando inquieta, ainda mais com o sol que vem batendo aqui. É sério, parece até setembro, quente demais, e eu não sei onde colocar os pensamentos, nem sei onde pôr as mãos também, mas isso, mas isso já é de praxe.


Na real, eu vim aqui, mas não tinha nada de novo ou interessante pra dizer, só que é noite, ainda faz calor e eu não quero ir dormir, não com meus pensamentos.


Pra diabos serve um blog? Eu tenho um diário, um caderninho vermelho bem mais franco e bem menos organizado que isso aqui, que diabos eu venho tentar desabafar aqui se eu nem tenho coragem? Que diabos eu venho fazer aqui se eu só sei dizer que amo e quero bem? Ah! É tudo a mesma coisa, odeio me repetir mas faço, e faço muito. Você, senhor raríssimo leitor, que chegou até aqui, pode parar, não tem mais nada, como não teve. Eu tô com sono mas eu sei que ainda vai ter um encontro com o teto que prefiro adiar.

Será que me rendo agora? Quem sabe.

"Se você se sente sinistro..."

sábado, 20 de janeiro de 2007

Delicadeza


É engraçado como a simples presença de algumas pessoas pode ser enternecedora.

Assim como já falei aqui da saudade que sinto de Tarkovski, ( saudade mesmo, como de quem você conheceu, viveu e não se recupera nunca) ontem me peguei emocionada com o simples fato de ver Manoel de Oliveira, este grandioso criador português. Grandioso sim, em capturar nossas minúcias, pequenices (não pequenezas) e guardá-las, capturá-las e nos mostrar um mundo novo. Em seu mundo de mãos, olhos e sapatos emocionados, Oliveira consegue com a simplicidade do seu olhar um resultado tão devastador que impossibilita a imunidade. Fico aqui às voltas com imagens suas que me vem e não esqueço.

Em um documentário de Maria de Medeiros sobre os bastidores da criação cinematográfica e crítica, ao ser questionado sobre o que o artista arrisca com seu cinema ele responde.

‘Tudo’

Ao ver um filme de Oliveira, me dou conta que ele sim, arrisca tudo. É uma vida que está ali, é um olhar despido, entregue ao homem e a sua compreensão.

Fico aqui com pensamentos ternos sobre a vida, a arte e o humano. Obrigada Manoel!