Domingo, Novembro 22, 2009
Domingo, Novembro 01, 2009
Oh, meu amor!
Não fique triste...
Saudade existe pra quem sabe ter,
Minha vida cigana me afastou de você,
Por algum tempo eu vou ter que viver por aqui,
longe de você,
Longe do seu carinho...
E do seu olhar, que me acompanha tem muito tempo
Penso em você a cada momento
Sou água de rio que vai para o mar
Sou nuvem nova que vem pra molhar essa noiva que é você
Para mim você é linda
A dona do meu coração
Que bate tanto quando te vê
É a verdade que me faz viver
O meu coração bate tanto quando te vê
É a verdade que me faz viver
Não fique triste...
Saudade existe pra quem sabe ter,
Minha vida cigana me afastou de você,
Por algum tempo eu vou ter que viver por aqui,
longe de você,
Longe do seu carinho...
E do seu olhar, que me acompanha tem muito tempo
Penso em você a cada momento
Sou água de rio que vai para o mar
Sou nuvem nova que vem pra molhar essa noiva que é você
Para mim você é linda
A dona do meu coração
Que bate tanto quando te vê
É a verdade que me faz viver
O meu coração bate tanto quando te vê
É a verdade que me faz viver
(tetê e geraldo espíndola)
Sexta-feira, Outubro 23, 2009
meu pai deu livros seus
livros importantes
e deu uma briga lá em casa
"como assim, pai? eu sou historiadora
e você dá os livros de filosofia?"
Fiquei zangada
mas eu sabia e baixava o tom
pensava nele
nesse senso de partilha que ele tem
de quem queria ter mais pra poder dar- ele já me disse
pensei na eternidade disso
como as palavras do livros que ele deu
que seguirão andando sozinhas
na cabeça de quem encontrar com elas
livros importantes
e deu uma briga lá em casa
"como assim, pai? eu sou historiadora
e você dá os livros de filosofia?"
Fiquei zangada
mas eu sabia e baixava o tom
pensava nele
nesse senso de partilha que ele tem
de quem queria ter mais pra poder dar- ele já me disse
pensei na eternidade disso
como as palavras do livros que ele deu
que seguirão andando sozinhas
na cabeça de quem encontrar com elas
Segunda-feira, Outubro 19, 2009
Domingo, Outubro 04, 2009
Difícil ser funcionário
Difícil ser funcionário
nesta segunda-feira
eu te telefono, Carlos
pedindo conselho
Não é lá fora o dia
que me deixa assim,
cinemas, avenidas,
E outros afazeres.
É a dor das coisas,
o luto desta mesa;
é o regimento proibindo
assovios, versos e flores.
Eu nunca suspeitara
tanta roupa preta;
tão pouco essas palavras -
funcionárias sem amor
Carlos, há uma máquina
que nunca escreve cartas;
há uma garrafa de tinta
que nunca bebeu álcool.
E os arquivos, Carlos,
as caixas de papéis:
túmulos para todos
os tamanhos de meu corpo.
Não me sinto correto
de gravata de cor,
e na cabeça uma moça
em forma de lembrança
Não encontro a palavra
que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...
Carlos, dessa náusea
como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
pedindo conselho
(de joão cabral pra drummond)
nesta segunda-feira
eu te telefono, Carlos
pedindo conselho
Não é lá fora o dia
que me deixa assim,
cinemas, avenidas,
E outros afazeres.
É a dor das coisas,
o luto desta mesa;
é o regimento proibindo
assovios, versos e flores.
Eu nunca suspeitara
tanta roupa preta;
tão pouco essas palavras -
funcionárias sem amor
Carlos, há uma máquina
que nunca escreve cartas;
há uma garrafa de tinta
que nunca bebeu álcool.
E os arquivos, Carlos,
as caixas de papéis:
túmulos para todos
os tamanhos de meu corpo.
Não me sinto correto
de gravata de cor,
e na cabeça uma moça
em forma de lembrança
Não encontro a palavra
que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...
Carlos, dessa náusea
como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
pedindo conselho
(de joão cabral pra drummond)
Quinta-feira, Outubro 01, 2009
Quarta-feira, Setembro 16, 2009
a outra banda da terra
Segunda-feira, Setembro 14, 2009
Domingo, Setembro 13, 2009

No início de "Two Lovers" a personagem de Vinessa Shaw, Sandra, diz que quis conhecer Leonard após ir na lavanderia que ele trabalha e ter visto ele chamando a mãe para dançar. E ele lhe diz:"Isso é muito eu mesmo".
Leonard dança com Michelle em uma boate, tenta lhe beijar o pescoço e depois, decepcionado, arranca um resto de papel colado na parede de um poste enquanto a espera. Ali, talvez ainda não saibamos, mas o filme vai tratar de construir e dizer, aquilo é "muito Leonard", e são em gestos como esse que está a força do filme de James Gray e sua verdade.
Não sei bem sobre o que é o filme, mas sei o que lhe interessa, o que interessa a câmera de Gray e ao seu drama: são as expectativas, expectativas que alimentam e também podem ser tão destrutivas. O filme trata desses tempos de espera tantas vezes vividos em que rezamos para que alguém chegue, porque o não chegar quer dizer desmoronar, quer dizer em um instante perder tudo. "Tudo", nesse filme, parece ser Michelle, ou a vibração e energia que ela parece carregar consigo, energia entregue às drogas e ao relacionamento autodestrutivo. Isso em constraste com a beleza tranquila de Sandra que "invade" a casa de Leonard e lhe diz do seu desejo, simples, simplesmente. Gosto de pensar nos personagens um tanto longe do contexto familiar e de pressão de que o filme também fala, como na cena em que Leonard ameça ir embora e a mãe lhe olha e lhe diz para além de tudo isso que quer que ele seja feliz, para além da possível chantagem das relações de poder e interesse que podiam tomar lugar do filme naquele momento, mas a questão é de querer ser feliz mesmo, e do que essa expectativa e desejo envolvem, e dos lugares onde a felicidade se acha.
Terça-feira, Setembro 08, 2009
Chove o dia inteiro em Curitiba.
Eu ia pro Rio hoje.
Voltei a ouvir Nick Drake, acho que por causa da chuva.
Conversei longamente com Mariana sobre Caetano e sobre o que ele nos diz.
Rimos tanto.
Arthur me mostrou uma carta escrita por um crítico filipino para sua namorada jornalista eslovena
os dois foram mortos por assaltantes em sua casa em Quezon City
a carta falava sobre filmes, cidades, sobre as filipinas e sobre a eslovênia.
Ontem encontrei uma amiga de Minas, a Rebecca.
Falei com meus pais pelo skype, a voz deles tinha tanta saudade quanto as palavras.
Disse pra Arthur de uma perplexidade que me tomou
de pensar em não ter conhecido essas pessoas de longe que conheci por aqui, pelo computador
Pensei isso logo que Rebecca se despediu
O que eu já pensei tantas vezes assustada "E se por um triz não tivesse encontrado Arthur?"
Que susto!
Eu e Arthur saímos andando pela rua, nos demos conta dos meses que estamos juntos
E hoje eu disse pra Mari do que pensei
É assim
Eu também quero ir pra rua
mas não para de chover em Curitiba.
Eu ia pro Rio hoje.
Voltei a ouvir Nick Drake, acho que por causa da chuva.
Conversei longamente com Mariana sobre Caetano e sobre o que ele nos diz.
Rimos tanto.
Arthur me mostrou uma carta escrita por um crítico filipino para sua namorada jornalista eslovena
os dois foram mortos por assaltantes em sua casa em Quezon City
a carta falava sobre filmes, cidades, sobre as filipinas e sobre a eslovênia.
Ontem encontrei uma amiga de Minas, a Rebecca.
Falei com meus pais pelo skype, a voz deles tinha tanta saudade quanto as palavras.
Disse pra Arthur de uma perplexidade que me tomou
de pensar em não ter conhecido essas pessoas de longe que conheci por aqui, pelo computador
Pensei isso logo que Rebecca se despediu
O que eu já pensei tantas vezes assustada "E se por um triz não tivesse encontrado Arthur?"
Que susto!
Eu e Arthur saímos andando pela rua, nos demos conta dos meses que estamos juntos
E hoje eu disse pra Mari do que pensei
É assim
Eu também quero ir pra rua
mas não para de chover em Curitiba.
Quinta-feira, Setembro 03, 2009
Terça-feira, Setembro 01, 2009
saudade de São Raimundo Nonato
meu pai me mostrou fotos lindas que tirou lá
de árvore, reza e pássaro
nessas tardes as canções de Sá & Guarabyra se parecem com a estrada que leva até lá
saudade de uma cadeira na calçada
em frente as casas coloridas
meu pai me mostrou fotos lindas que tirou lá
de árvore, reza e pássaro
nessas tardes as canções de Sá & Guarabyra se parecem com a estrada que leva até lá
saudade de uma cadeira na calçada
em frente as casas coloridas
Sábado, Agosto 29, 2009
Minha mãe me passou o nosso novo número de telefone. Não consigo apagar o antigo, por tantos anos me ligaram no antigo, tantos anos dando o antigo pras pessoas. Sou sem jeito pra isso.
A casa está lá, com as paredes impregnadas do amor que sentimos e que vivemos lá, envolta de uma fumaça de incompreensão. Foi lá que os jamins floresceram e cheiraram forte. Foi lá que os gatos chegaram e de lá partiram, lá que meu pai plantou um pé de acerola na janela, depois cresceu um de laranja, enroscado no de acerola. Foi lá que eu cresci, em tudo que a palavra crescer abarca.
A casa está lá, com as paredes impregnadas do amor que sentimos e que vivemos lá, envolta de uma fumaça de incompreensão. Foi lá que os jamins floresceram e cheiraram forte. Foi lá que os gatos chegaram e de lá partiram, lá que meu pai plantou um pé de acerola na janela, depois cresceu um de laranja, enroscado no de acerola. Foi lá que eu cresci, em tudo que a palavra crescer abarca.
é do lado daquela casa que passa um rio
e o meu mal é o de não esquecer
de ter boca que carece de raiz
Quarta-feira, Agosto 26, 2009
boca: pequena abertura para o deserto.
trapos:substantivo masculino
pessoa que tendo passado muito trabalho e fome
perambula com olhar de água suja no meio das ruínas
quem as aves preferem para fazerem seus ninhos
diz-se também - de quando um homem caminha para o nada
pedra: substantivo feminino
pequeno sítio árido em que o lagarto de pernas areientas medra
indivíduo que tem nas ruínas posperantes de sua boca aridez de raiz
lugar de uma pessoa haver musgo
palavra que certos poetas usam para dar concretude a solidão
olho: é uma coisa que participa do silêncio dos outros.
(manoel de barros)
Sexta-feira, Agosto 21, 2009
Sexta-feira, Agosto 14, 2009
Sexta-feira, Agosto 07, 2009
Queria que coubesse aqui o que senti na minha despedida de pequenos e grandes na Casa Dom Barreto quando saí de Teresina.
Quinta-feira, Julho 30, 2009
Terça-feira, Julho 28, 2009
Por que sou Vegetariano?
“Minhas razões para ser vegetariano são muito simples:
Os animais têm capacidade de sofrer.
Quando são criados para nos fornecer carne, eles sofrem de muitas e desnecessárias maneiras.
Nós não precisamos comer carne. Qualquer que tenha sido a situação no passado, nos primórdios da evolução humana, hoje as pessoas de classe média dos países desenvolvidos têm uma gama enorme de alimentos nutritivos a sua disposição. Uma dieta vegetariana não impede o acesso a proteínas e outros nutrientes essenciais. Comemos carne porque apreciamos o sabor, não porque ela seja necessária a nossa saúde.
O desejo de saborear a carne dos animais não justifica faze-los sofrer.
Portanto, não deveríamos comer animais que sofrem só para isso – para nos fornecer sua carne.
O sofrimento a que me refiro não ocorre apenas nos matadouros. Muitas pessoas ainda sabem como funcionam as modernas fazendas industriais. Nelas, a mecanização e os métodos de negócios corporativos são aplicados de acordo com o princípio de que os animais são objetos a ser consumidos. Para baratearem o custo, os produtores confinam e amontoam os animais de maneira tal que os condenam a passar a vida inteira em condições horríveis.
Tudo isso ocorre por um equívoco ético fundamental. Os racistas pensavam que um ser humano que não pertencesse a sua raça se situava fora da esfera da ética. Podia, portanto, ser capturado e vendido como escravo. Não acreditamos mais que as fronteiras raciais demarquem os limites para além dos quais os seres humanos se transformem em objetos para nosso uso. Mas ainda achamos que seres que estão fora da fronteira de nossa espécie não passam de coisas úteis. Não há base moral para essa crença. A escravidão animal deveria ser enterrada, juntamente com a escravidão humana, no cemitério do passado.”
Peter Singer
Filósofo australiano, professor de bioética
da Universidade Princeton. Seu livro Libertação animal
é um libelo do movimento de proteção aos animais
“Minhas razões para ser vegetariano são muito simples:
Os animais têm capacidade de sofrer.
Quando são criados para nos fornecer carne, eles sofrem de muitas e desnecessárias maneiras.
Nós não precisamos comer carne. Qualquer que tenha sido a situação no passado, nos primórdios da evolução humana, hoje as pessoas de classe média dos países desenvolvidos têm uma gama enorme de alimentos nutritivos a sua disposição. Uma dieta vegetariana não impede o acesso a proteínas e outros nutrientes essenciais. Comemos carne porque apreciamos o sabor, não porque ela seja necessária a nossa saúde.
O desejo de saborear a carne dos animais não justifica faze-los sofrer.
Portanto, não deveríamos comer animais que sofrem só para isso – para nos fornecer sua carne.
O sofrimento a que me refiro não ocorre apenas nos matadouros. Muitas pessoas ainda sabem como funcionam as modernas fazendas industriais. Nelas, a mecanização e os métodos de negócios corporativos são aplicados de acordo com o princípio de que os animais são objetos a ser consumidos. Para baratearem o custo, os produtores confinam e amontoam os animais de maneira tal que os condenam a passar a vida inteira em condições horríveis.
Tudo isso ocorre por um equívoco ético fundamental. Os racistas pensavam que um ser humano que não pertencesse a sua raça se situava fora da esfera da ética. Podia, portanto, ser capturado e vendido como escravo. Não acreditamos mais que as fronteiras raciais demarquem os limites para além dos quais os seres humanos se transformem em objetos para nosso uso. Mas ainda achamos que seres que estão fora da fronteira de nossa espécie não passam de coisas úteis. Não há base moral para essa crença. A escravidão animal deveria ser enterrada, juntamente com a escravidão humana, no cemitério do passado.”
Peter Singer
Filósofo australiano, professor de bioética
da Universidade Princeton. Seu livro Libertação animal
é um libelo do movimento de proteção aos animais
Sexta-feira, Julho 24, 2009
Um inseto me pegou e eu estou com o olho bem inchado, hoje ainda mais inchado e vermelho que ontem. Acordei e desci para falar com meu pai, e ele me olhou por um segundo e nada mais que isso, fez uma cara séria e triste. Nem é nada demais mas imagino o quanto pra quem ama um rosto vermelho e machucado seja ofensivo, como se fosse um lugar de impossibilidade. "Não, não com ela".
Segunda-feira, Julho 20, 2009
voz mendiga
E ainda me atrevo a amar
o som da luz numa hora morta,
a cor do tempo num muro abandonado.
Em meu olhar o perdi todo.
É tão distante pedir. Tão perto saber que não há
(alejandra pizarnik)
E ainda me atrevo a amar
o som da luz numa hora morta,
a cor do tempo num muro abandonado.
Em meu olhar o perdi todo.
É tão distante pedir. Tão perto saber que não há
(alejandra pizarnik)
Sexta-feira, Julho 17, 2009
O que mais me emociona no bumba-meu-boi como manifestação, ou simplesmente quando canção, é quando ele soa como um lamento, mesmo quando o ritmo das matracas e dos maracás chama para dançar.
E quando digo lamento é pelo desejo incontrolável da negra Catirina que quer dizer o sacrifício, ali, quando o cantador diz do boi que olha.
E quando digo lamento é pelo desejo incontrolável da negra Catirina que quer dizer o sacrifício, ali, quando o cantador diz do boi que olha.
levanta boi e vai
que é pro amo ver
que boi também chora,
também sente dor
que é pro amo ver
que boi também chora,
também sente dor
Sábado, Julho 11, 2009
eles vinham de longe
Se tivessem conhecido o idioma da cidade, poderiam ter perguntado quem fez o homem branco, de onde saiu a força dos automóveis, quem segura os aviões lá no céu, porque os deuses nos negaram o aço.
Mas não conheciam o idioma da cidade. Falavam a velha língua dos antepassados, que não tinham sido pastores nem vivido nas alturas da serra nevada de Santa Marta. Porque antes dos quatro séculos de perseguição e expoliação, os avós dos avós dos avós tinham trabalhado as terras férteis que os netos dos netos dos netos não puderam conhecer nem de vista nem de ouvir falar.
De modo que agora eles não podiam fazer outro comentário que aquele que nascia, em chispas bem humoradas, dos olhos: olhavam essas mãos pequeninas dos homens brancos, mãos de lagartixa, e pensavam: só podem dar presentes feitos pelos outros.
Estavam parados numa esquina da capital, o chefe e três de seus homens, sem medo. Não os sobressaltava a vertigem do trânsito das máquinas e das pessoas, nem temiam que os edifícios gigantes pudessem cair das nuvens e despencar em cima deles. Acariciavam com a ponta dos dedos seus colares de várias voltas de dentes e sementes, e não se deixavam impressionar pelo barulho das avenidas. Seus corações sentiam pena dos milhões de cidadãos que passavam por cima e por baixo, de costas e de frente e de lado, sobre pernas e sobre rodas, a todo vapor: "Que seria de todos vocês" - perguntavam lentamente seus corações - "se nós não fizéssemos o sol sair todos os dias?"
(eduardo galeano)
Se tivessem conhecido o idioma da cidade, poderiam ter perguntado quem fez o homem branco, de onde saiu a força dos automóveis, quem segura os aviões lá no céu, porque os deuses nos negaram o aço.
Mas não conheciam o idioma da cidade. Falavam a velha língua dos antepassados, que não tinham sido pastores nem vivido nas alturas da serra nevada de Santa Marta. Porque antes dos quatro séculos de perseguição e expoliação, os avós dos avós dos avós tinham trabalhado as terras férteis que os netos dos netos dos netos não puderam conhecer nem de vista nem de ouvir falar.
De modo que agora eles não podiam fazer outro comentário que aquele que nascia, em chispas bem humoradas, dos olhos: olhavam essas mãos pequeninas dos homens brancos, mãos de lagartixa, e pensavam: só podem dar presentes feitos pelos outros.
Estavam parados numa esquina da capital, o chefe e três de seus homens, sem medo. Não os sobressaltava a vertigem do trânsito das máquinas e das pessoas, nem temiam que os edifícios gigantes pudessem cair das nuvens e despencar em cima deles. Acariciavam com a ponta dos dedos seus colares de várias voltas de dentes e sementes, e não se deixavam impressionar pelo barulho das avenidas. Seus corações sentiam pena dos milhões de cidadãos que passavam por cima e por baixo, de costas e de frente e de lado, sobre pernas e sobre rodas, a todo vapor: "Que seria de todos vocês" - perguntavam lentamente seus corações - "se nós não fizéssemos o sol sair todos os dias?"
(eduardo galeano)
Quarta-feira, Julho 08, 2009
um gato mia lá fora
não é meu gato perdido
há uma vista de um lado da casa que é a cara dele
todos os muros
os telhados que ele cheirou
os sons dos bichos por aqui
soam como um pedido.
não é meu gato perdido
há uma vista de um lado da casa que é a cara dele
todos os muros
os telhados que ele cheirou
os sons dos bichos por aqui
soam como um pedido.
Segunda-feira, Julho 06, 2009
Assinar:
Postagens (Atom)






