@ tainah negreiros

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

com as mãos confusas entre pedir parada pro ônibus
e segurar os fones de ouvido
derrubo o celular no chão imundo
da cidade

mais tarde
tua foto aparece
beijo a tela
se é tu que está lá trato de ignorar o chão

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Na Praia à Noite Sozinha (Hong Sang Soo, 2017)


Hong Sang Soo viveu um dos lados dessa história. Inventou a solidão do outro. Um canalha. Um acerto de contas amoroso em público é o que ele merece. A exposição dentro da exposição que já é o próprio filme. O diretor. A atriz. Ela tem nome, ela experimenta, sonha com outra vida, abandona, confronta. Younghee. Que personagem é essa? Imensa. Quanta dignidade. Dela e das que a fortalecem em seu caminho. O homem, os homens, diante de todas essas que HSS filmou viraram quase nada. Uma espécie "sem disposição pra luta", como diria Rimbaud. Que filme!  Um grande feito em 2017. Exposição radical. Filme radical. Viva!

sábado, 7 de outubro de 2017

tá tudo solto na plataforma do ar

terça-feira, 26 de setembro de 2017

domingo, 10 de setembro de 2017

sábado, 9 de setembro de 2017

Digo que vou ao show do Gil e Matt com febre me diz de muito longe: "Deve ser o nordeste da saudade."

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Ouço Joanna Newsom na lua cheia porque as fadas e as bruxas precisam se unir.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Crianças não resignam.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Bjork

She describes it  as her “dating album”: “It’s like my Tinder album. It is definitely about that search — and about being in love. Spending time with a person you enjoy on every level is obviously utopia, you know? I mean, it’s real. It’s when the dream comes real.”

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

lost in translation

here I am
speaking a language that's not mine
trying to show me
to reach you
that's what we have now
words in english, a bit of portuguese, of french
maybe more of dutch
that language that you belong to
interests me
sergio says in the middle of the afternoon:
por não ser a língua de nenhum de vocês
é a possível

these words are what we have now
and some photographs of what we see
or how we see ourselves
in selfies, nudes, half-nudes
love gestures
what are the colors of your thoughts?
I ask myself
mine are blue and read
blue like your t-shirt
red like my heart

sábado, 22 de julho de 2017

Rever para reaprender a ouvir os sinais.

terça-feira, 18 de julho de 2017

férias de julho de 2017
São Raimundo Nonato
o esforço é de não ser dolorosa
e os sorriso sem esforço algum vem

a existência de minha mãe pra mim é algo tão imenso
que se torna abstrato
uma larga escala
de amorosas tonalidades e traços

não quero ir
aprecio as frutas e as luzes
ignoro a dificuldade das duas da tarde
gosto do centro às sete da noite
e também às onze da manhã

reconsidero outras formas de vida
reconheço o silêncio azul da madrugada
agradeço, sinto a sorte fisicamente
uma criança nascida sob o signo de leão abre a nossa porta sozinha
brinca
diz nossos nomes com ternura

domingo, 16 de julho de 2017

domingo

may my heart be always be open to little
birds who are the secrets of living
whatever they sing is better than to know
and if men should not hear them men are old

may my mind stroll about hungry
and fearless and thirsty and supple
and even if it’s sunday may i be wrong
for whenever men are right they are not young

e.e cummings

segunda-feira, 10 de julho de 2017

o teu esforço no meu apagamento é um duro golpe contra o fogo

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Levantei às quatro da manhã aqui em São Raimundo. Moramos no meio do mato e tive a impressão de ter ouvido o último segundo da Hora azul. Foi interrompido por vários galos cantando longe, numa espécie de sequência articulada. Sinto que agora experimentei todas as recomendações de radicais experiências com a natureza que Rohmer e Julio Verne recomendaram. Tanto o Raio Verde quanto a Hora azul aqui na cidade em que nasci.

sábado, 1 de julho de 2017

Revi depois de anos. A banalização do amor como sentimento e como palavra. Todo mundo se apaixona por todo mundo, fala sobre esse amor e também magoa todo mundo por conta disso. É sobre tratar paixão como amor. Sobre o charme da indisponibilidade e da disponibilidade também. Uma loucura, desses filmes irresistíveis de análise combinatória, do amor.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

entender que a alegria acontece
não é tarefa fácil
senti com alguma clareza enquanto andávamos
pra cima e pra baixo de taxi
uma não distração enorme
contigo nos braços
e a cidade nova lá fora

querido,
agora você é como um gato japonês desaparecido
a partir desse momento pra mim você é como um neko japonês de braço levantado
em um santuário
não importa onde vá, inventei essa imagem próxima
para que possa torcer pelo teu bem
onde quer que esteja

quinta-feira, 15 de junho de 2017

aqueles que dançam
se entendem em um patamar novo
alcançam a profundidade
da alma dos números
O milagre da paixão
vivida por dois

a canção que dançamos
de um jeito louco ontem
ouço hoje sem me mexer
como quem em um esforço tolo
tenta cobrir o traço de um desenho bonito

terça-feira, 13 de junho de 2017

sexta-feira, 9 de junho de 2017


you told me about the gravitational waves
que elas distorcem o espaço tempo
“uma nova era na compreensão do universo”
leio no jornal
um novo momento
bastante pessoal
época das distâncias entre os corpos modificadas

em oito de julho
fomos como dois buracos negros densos
que se encontram
e se misturam
e vibram
a nossa matéria mudou

quinta-feira, 8 de junho de 2017

"please don't tell anyone this but I want to be happy"

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Matthijs

o visitante do meu mundo vem de longe
logo me deixará
mas antes
inventa situações inesquecíveis
em quartos 
meios de rua
portões e beiras de calçada
me questiono se há um esforço presente ou de posteridade
é feito pra durar?
em mim dura
até porque o quarto, as ruas e os portões vão permanecer perto de mim não dele
e a falta que tão bem conheço
vai permanecer minha


you are terrifying
and strange and beautiful
something not everyone knows how to love

sábado, 3 de junho de 2017

Rohmer, nosso aliado

 (Quatro Aventuras de Mirabelle e Reinette, 1987)

Os jovens indecisos e os adultos imaturos de Rohmer são intrigantes, estão intrigados, intrigam. A intriga, em Rohmer, é um pretexto, porque cada narrativa é apenas uma versão da história. As personagens vivem iludidas, mas não é grave, porque o cinema é também uma ilusão e, de algum modo, a vida também é, ou pelo menos o modo como conduzimos as nossas vidas. Eric Rohmer sempre pareceu uma figura paterna, ou pelo menos um irmão mais velho, mesmo em relação aos seus companheiros de geração. Mas foi até ao fim um aliado dos jovens, fascinado com a teatralidade com que os jovens fazem dos factos consumados pretensas estratégias intencionais.
Nos meus Rohmers favoritos, e Rohmer é o meu cineasta favorito, há sempre epifanias fugazes e contraditórias, agridoces: Haydée intempestivamente abandonada no meio de uma estrada, o joelho de Claire quase como se não fosse erótico, o católico que descobre a loura Françoise na missa, Gaspard fingindo que não tem saída com as mulheres, François que descobre o namorado da sua quase namorada, Marion chocada ao perceber que ser adulto é viver com a mentira. Estas personagens não crescem: evoluem. Não aprendem: sujeitam-se. E mesmo se acham que seduzem, talvez seja apenas como em Kierkegaard: "Ele não seduz, deseja, e esse desejo tem um efeito sedutor."
Também isso ensinou Eric Rohmer, nosso aliado.

Pedro Mexia

sexta-feira, 2 de junho de 2017

depois de ler alguns textos de um jornal português hoje escapou de minha boca:

"sinto tua falta imenso"

quarta-feira, 31 de maio de 2017

terça-feira, 16 de maio de 2017


"Refazer por dentro aquilo que os arqueólogos do séc XIX fizeram por fora."

"Em todo caso, eu era demasiado jovem. Existem livros que não devemos ousar escrever antes de termos ultrapassado os quarenta anos. Antes dessa idade, corremos o risco de desconhecer a existência das grandes fronteiras naturais que separam, de pessoa para pessoa, de século para século, a infinita variedade de seres, ou, pelo contrário, de dar exagerada importância às simples divisões administrativas, às formalidades da alfândega, ou às guaritas do corpo de guarda. Foram-me precisos todos esses anos para aprender a calcular exatamente as distâncias entre o imperador e eu."

Anotações de Marguerite Yourcenar sobre o magnífico "Memórias de Adriano"

quinta-feira, 11 de maio de 2017

por que diz isso agora?
é para que eu te ame?
pois sou capaz
se diz duas ou três coisas
como essa
te amo
coisas sobre ir embora da cidade
sobre o mal do trabalho e da família
diz mais uma vez e vai saber
do que sou capaz

terça-feira, 9 de maio de 2017

o homem que me visita se interessa pelos detalhes do meu quarto
e tenho a impressão que havia pensado cuidadosamente para que ele pudesse descobrir
como numa espécie de premonição

sábado, 29 de abril de 2017

Escrevo para uma amiga que quero o bem dele
e que há muito tempo não queria o bem de um amante