@ tainah negreiros

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Essa semana ando pensando muito em Almodóvar. Penso sobre dor, sobre dor que não passa, e sobre como seu cinema trata isso. É sempre muito familiar pra mim a noção de que devemos arranjar um jeito de sanar a dor, anestesiá-la, isso que vem não sei de onde, sei lá, de uma cultura que se criou, da nossa relação com o incômodo, com o inevitável, ou desse mundo esquisito e de seus remédios. E acabo reencontrando Almodóvaro e seu cinema fascinante, ele e SUA longa história de dor, paixão que ele vem contando em muitas. E o que me pega esse dia é um olhar mais atencioso as suas personagens, elas, eles, que apesar da dor, agem por ela. Sim, agem por ela, é esse seu jeito de lidar, sua maneira de seguir com a vida. A dor movimenta, inquieta, sacode o mundo. Seus personagens não conseguem dormir na mesa cama após uma separação, choram com belas canções, ah ! nossa, e eu ando tão enamorada de suas mulheres esses dias. De suas mulheres que amam, de suas mulheres que berram, gemem, correm, choram e sorriem depois. Perguntam a Pepa: “Quantos homens você teve de esquecer?”, e ela pensa em todos eles, o quanto os ama e os odeia com força. Adorável como as mulheres de Almodóvar conseguem querer bem à despeito do que é cruel, à despeito da dor, à despeito do que lhe fizeram. A mulher corre ao aeroporto pra impedir que matem o homem que a largou e que ela ainda ama. A mulher enterra dignamente o homem que a maltratou. Difícil esquecer tudo isso, difícil ficar longe dessas mulheres e não lhes querer bem. Difícil ficar longe delas em dias estranhos como esses. Ah! Esses dias...

5 comentários:

Luciana. disse...

e o mais difícil é tentar ser igual a elas...
que bom que tu voltou a escrever com tudo moça!!

:)

:**

Sanmya disse...

olha garota, o Almodóvar ta fazendo tu se tornar marginal, delinquente juvenil kkkkkkkk
[piada interna]
=* flor

Rebs disse...

Que bom que vc voltou por aqui... Eu também me sinto tão próxima do Almodóvar...tão intensamente próxima...

Franciane disse...

e essa dor q ñ passa nunca...


ou melhor, q sempre volta!

ah esse dias...

=*

Thamires disse...

Mulheres de Almodovar...

Amo sim. ;*